7 conclusões sobre conveniência e notícias


Em “Against Convenience”, o bolsista da Fundação Nieman Gabe Bullard detalha os hábitos modernos de consumo de mídia
A ideia principal do livro é que não é preciso renunciar a todas as conveniências de alta tecnologia, mas garantir que a tecnologia trabalhe para a sociedade, em vez de pressionar a aceitar algo que seja um pouco mais fácil, mas não melhor Sérgio Lima/Poder360 - 4.nov.2023 Nieman Reports 5.out.2026 (segunda-feira) - 6h41 Priorize o Poder no Google Por Gabe Bullard
Desde a 1ª proposta, eu sabia que queria cobrir a indústria de notícias em meu livro, “Against Convenience” [Contra a Conveniência]. O livro analisa a tecnologia ao nosso redor e questiona se ela realmente melhora nossas vidas. Pedir comida por aplicativo vale o preço mais alto? Ouvir música por streaming é melhor do que colecionar CDs ou MP3s?
O jornalismo encarna o paradoxo da conveniência moderna: temos acesso a mais informações do que nunca, mas a desinformação e o partidário estão desenfreados, enquanto os produtores de informação confiável lutam para manter a sustentabilidade financeira.
Além disso, pensei que, se iria criticar outros setores —tecnologia, entretenimento, fabricação de eletrodomésticos—, não poderia evitar o meu próprio. Não sei o quanto o leitor comum não jornalista se interessa pelas operações diárias do mercado de notícias, por isso tentei olhar no espelho mais do que para o próprio umbigo. Queria oferecer ideias sobre por que nós, como público, consumimos as notícias que consumimos —ou por que não vemos as notícias de que podemos precisar.
Relembrei minha carreira, conversei com especialistas e li todos os artigos acadêmicos que consegui encontrar. As notícias, assim como a situação do mercado jornalístico, não eram animadoras. Mas terminei o processo um pouco mais esperançoso do que quando comecei.
A ideia principal do livro é que não precisamos renunciar a todas as conveniências de alta tecnologia, mas devemos garantir que a tecnologia trabalhe para nós, em vez de nos pressionar a aceitar algo que seja um pouco mais fácil, mas não melhor.
Eis algumas conclusões a que cheguei durante as pesquisas e a escrita.
O 1º texto a que recorri foi o ensaio de Richard J. Tofel, “Why American Newspapers Gave Away the Future” [Por que os jornais norte-americanos entregaram o futuro]. Li o texto no formato Kindle Single quando foi lançado e ele permaneceu em minha mente por anos.
Tofel escreve que “a indústria de jornais foi levada —e se deixou levar— a um erro fundamental: o erro de entregar seu conteúdo de graça, o que alguns chamaram de o ‘pecado original’ da publicação digital” . Ele argumenta que os editores perseguiram o que era “moderno” , seguindo o axioma de Stewart Brand, “a informação quer ser livre”, enquanto ignoravam a linha seguinte de Brand: “a informação também quer ser dispendiosa”.
O preço tornou as notícias on-line convenientes. Nos primeiros anos da internet, não era exatamente fácil ou rápido conectar-se, e nem todo artigo era publicado no site do jornal. Era possível ter uma visão mais completa das notícias assinando a entrega domiciliar ou indo à banca mais próxima. Mas o site era gratuito.
A troca aqui é comum nas conveniências baseadas na web. Parece gratuito, mas você ainda paga por um dispositivo e por dados, e nada desse dinheiro vai para os editores de notícias. Algo semelhante ocorreu com a fotografia (a Apple é a maior empresa de câmeras do mundo e não fabulou uma câmera isolada) e com a música (o Napster tornou a música gratuita para quem pudesse comprar um computador e uma conexão rápida o suficiente para baixar músicas, e os artistas perderam vendas).
Liguei para Tofel para falar sobre seu ensaio enquanto apurava o livro. Perguntei se os bloqueios de leitura (paywalls) poderiam ter funcionado nos primeiros anos do jornalismo digital. É impossível saber com certeza, mas ele me disse que é provável que os principais editores estivessem mais bem preparados para enfrentar as interrupções futuras se não tivessem se enfraquecido ao distribuir notícias gratuitamente.
Distribuir notícias no início não foi o único erro dos editores, nem a única vez em que se prejudicaram ao perseguir tendências. No livro, lembro-me de uma reunião de redação em que sugiri uma reportagem sobre uma ovelha que ficou solta por meses e, quando encontrada, teve de ter quilos de lã tosquiados. Um editor recusou a proposta dizendo: “Animais com cascos não funcionam bem para nós”.
Isso fazia sentido de uma forma própria e peculiar. O público havia migrado para as redes sociais em busca de notícias e nós queríamos nos adaptar aos seus hábitos convenientes de consumo. Na redação onde apresentei a pauta, uma análise detalhada das métricas revelou que, de todas as reportagens sobre animais, os cavalos eram os únicos ungulados que atraíam cliques suficientes no Facebook para atingir nossas metas de visualizações de página.
Ao analisar isso, percebe-se a arbitrariedade de muitos dados digitais. Eles são precisos, mas nem sempre trazem conclusões profundas. Para começar, os cliques mais favoráveis para cavalos podem ter ocorrido porque o algoritmo favorecia cavalos, e não porque o público não gostasse de ovelhas. E o que uma visualização de página nos diz? Sugere que um número de pessoas viu um anúncio, mas não mede interesse, atenção ou fidelidade. Outras métricas oferecem informações mais específicas, mas ainda são falhas. O tempo na página costuma ser uma média que equilibra leitores dedicados e pessoas navegando sem rumo.
Nas redações onde trabalhei, tentamos todos os tipos de fórmulas para medir o sucesso e sempre falhamos. O melhor uso dos dados era vender anúncios com base em uma métrica, mas isso levou à tentativa de alcançar essas metas, que nem sempre estavam alinhadas com a função de informar o público. Sabemos mais sobre o que as pessoas fazem on-line, mas menos sobre o que realmente importa.
Os dados são mais volumosos do que os que tínhamos antes, mas quando a receita e o conte
Fonte: Poder360
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