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Saúde

Ação policial impulsiona violência armada no Brasil, diz relatório

Estudo do Fogo Cruzado revela recorde na participação de agentes em tiroteios, resultando em 901 pessoas baleadas no 1º semestre de 2026.

Redação Cerrado em Foco
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A ação policial emergiu como um fator preponderante na escalada da violência armada no Brasil, conforme dados divulgados pelo relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado. O estudo, que abrange o período de janeiro a junho de 2026, revela que operações e ações de segurança pública foram responsáveis por 39% dos tiroteios registrados, resultando em 901 pessoas baleadas – um índice inédito na série histórica.

O Fogo Cruzado mapeou 2.511 tiroteios em quatro regiões metropolitanas (Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador), que deixaram 2.403 pessoas baleadas. Destes, 1.628 morreram e 775 ficaram feridas. A participação policial nesses confrontos, que totalizaram 989, culminou na morte de 584 indivíduos e deixou 317 feridos. Em comparação com o mesmo período de 2025, a participação policial em tiroteios subiu de 33%, evidenciando uma tendência de crescimento na atuação dos agentes de segurança nesses eventos com vítimas.

Terine Husek Coelho, gerente de Pesquisa do Instituto Fogo Cruzado, critica a estratégia atual, afirmando que “há três décadas o Estado repete a mesma fórmula, um modelo de segurança pública incapaz de desarticular os grupos armados”. Ela ressalta que essa abordagem não garante a segurança da população e contribui para a elevação no número de tiroteios, expondo moradores a riscos e comprometendo o funcionamento de serviços essenciais como escolas e unidades de saúde.

O relatório também destaca um aumento na violência gerada por disputas entre grupos armados, como facções e milícias, que registraram um crescimento de 12% nas vítimas, passando de 181 em 2025 para 203 em 2026. Este dado mostra que, apesar do aumento da participação policial, a atuação desses grupos não está sendo contida de forma eficaz.

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Nas regiões metropolitanas analisadas, a situação se manifesta de formas distintas. No Grande Rio, as ações policiais correspondem a quase metade dos tiroteios, atingindo o maior patamar desde 2017. Em Recife e Salvador, houve uma queda geral nos confrontos, mas a proporção de envolvimento policial nas ocorrências que resultam feridos e mortos é preocupante. Salvador, por exemplo, viu 53% dos baleados em ações policiais.

Belém, por sua vez, registrou uma diminuição de 20% no total de tiroteios, mas mantém a violência profundamente marcada pela atuação policial, com agentes envolvidos em 45% dos casos. Estes dados sublinham a necessidade de uma reavaliação das políticas de segurança pública, buscando alternativas que realmente diminuam a violência e garantam a proteção da população em vez de catalisar confrontos.

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Fonte: Agência Brasil - Geral

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