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Acidente da Voepass: Relatório Revela "Cultura de Desvios" e Falha na Fiscalização

Documento do Cenipa aponta irregularidades operacionais na Voepass e falhas na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), podendo ser um marco para a segurança aérea.

Redação Cerrado em Foco
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Acidente da Voepass: Relatório Revela "Cultura de Desvios" e Falha na Fiscalização

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou seu relatório final sobre o trágico acidente da Voepass em Vinhedo, que em 9 de agosto de 2024 vitimou 62 pessoas. O documento aponta uma "cultura de normalização de desvios" nas condutas operacionais da companhia aérea, caracterizada por práticas como a omissão de problemas em diários de bordo por pilotos e mecânicos, e a atuação de auxiliares sem supervisão adequada. Além disso, a Anac foi citada como fator contribuinte devido a falhas na fiscalização.

Especialistas na área, como o coronel aviador Silvio Monteiro Júnior, consideram o relatório um dos mais completos já produzidos, com potencial para ser um "marco histórico" na aviação brasileira. Silvio destaca a gravidade da cultura organizacional da Voepass, classificada por ele como um "absurdo" que atenta contra a segurança de voo, e as deficiências na fiscalização da Anac. As recomendações do Cenipa deverão ser analisadas pela agência em até quatro meses e podem levar a um aumento significativo na qualidade das operações aéreas no país.

A Anac, por sua vez, reforça que as investigações do Cenipa possuem caráter preventivo, visando identificar fatores contribuintes e aprimorar a segurança operacional, sem atribuição de culpa ou responsabilização direta. No entanto, a Agência se compromete a analisar as recomendações para mitigar riscos futuros, indicando a possibilidade de novos planos de ação ou regulamentações.

Um treinador de pilotos, que preferiu não se identificar, corrobora a visão de que o relatório será um "divisor de águas". Ele aponta que dificuldades financeiras enfrentadas pela Voepass, assim como por outras companhias, podem levar a uma flexibilização das exigências de segurança em um ambiente onde a fiscalização da Anac não recebe investimentos suficientes. Essa conjuntura cria um cenário propício para o descumprimento de regras, algo extremamente perigoso na aviação.

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O professor James Waterhouse, da USP, ressaltou que as conclusões do Cenipa confirmam percepções já existentes no meio aeronáutico sobre a Voepass. Ele enfatiza a "negligência generalizada" na empresa, a "cultura de transgressão às regras" e a inobservância de alertas cruciais. Waterhouse questiona quais outras companhias podem estar em situação similar e sugere que a Anac intensifique a fiscalização em empresas com dificuldades financeiras, pois a segurança costuma ser a primeira área a sofrer cortes orçamentários.

Entre as análises do Cenipa, foram examinadas as caixas-pretas da aeronave, reconstruído o voo, investigados os sistemas de degelo e proteção contra estol, condições meteorológicas, e foram realizadas extensas entrevistas e testes em simuladores. A Voepass, em nota, classificou o acidente como o mais grave de sua história, afirmando ter prestado apoio às famílias e colaborado transparentemente com as investigações, apesar das "centenas de auditorias externas e inspeções" que teria passado ao longo dos seus 30 anos de operação.

Fonte: G1 DF

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