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Saúde

Acidente Voepass: Cenipa Aponta 'Cegueira' e 'Surdez' por Desatenção de Pilotos

Relatório final do órgão destaca falhas cognitivas em meio à alta carga de trabalho na cabine que contribuíram para a queda da aeronave.

Redação Cerrado em Foco
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Acidente Voepass: Cenipa Aponta 'Cegueira' e 'Surdez' por Desatenção de Pilotos

A investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, revelou que a redução da capacidade da tripulação de assimilar alertas foi um fator contribuinte. O relatório final menciona conceitos da psicologia cognitiva, como inattentional blindness (cegueira por desatenção) e inattentional deafness (surdez por desatenção), para explicar como os avisos da aeronave podem ter passado despercebidos.

Maria da Conceição Correia Pereira, psicóloga especialista em fatores humanos na aviação, esclarece que esses fenômenos não indicam negligência ou falta de preparo. Segundo ela, o cérebro humano possui limites naturais para processar informações, especialmente em situações complexas. A cegueira e a surdez por desatenção ocorrem quando a mente está tão focada em uma tarefa que, embora os sentidos captem um estímulo (visual ou sonoro), a informação não é conscientemente processada ou interpretada.

De acordo com o Cenipa, os pilotos estavam submetidos a uma elevada carga de trabalho na fase final do voo. Tiveram que gerenciar acúmulo de gelo, falhas no sistema de degelo, contato com a torre e procedimentos de aproximação, enquanto mantinham conversas pessoais. Nesse contexto, a capacidade de reconhecer e processar alertas visuais e sonoros foi significativamente afetada, impedindo a percepção de um sinal crucial sobre a perda de desempenho.

Mesmo pilotos experientes estão sujeitos a esses fenômenos, pois o cérebro atua como um filtro, priorizando informações em momentos de sobrecarga. A atenção concentra-se no que é considerado mais relevante, deixando outros estímulos em segundo plano. Não se trata de falha na visão ou audição, mas sim na alocação da atenção em um cenário onde múltiplos dados competem simultaneamente.

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Para mitigar esses riscos, a psicóloga Maria da Conceição defende uma abordagem multifacetada que inclui tecnologia avançada, treinamento aprimorado e uma cultura organizacional focada na segurança. Ela enfatiza a importância de preparar os pilotos para compreender o funcionamento do cérebro em alta complexidade, abordando gerenciamento da atenção, carga cognitiva e consciência situacional. O relatório do Cenipa também sugere melhorias tecnológicas, como o novo sistema de monitoramento de desempenho da ATR, desenvolvido após o acidente, para contrapor as limitações humanas.

O acidente, que vitimou todas as 62 pessoas a bordo do ATR 72-500 em 9 de agosto de 2024, foi o mais grave da aviação brasileira desde 2007. A Voepass reiterou seu compromisso com a segurança e a transparência na colaboração com as autoridades, embora o Cenipa também aponte falhas da companhia aérea e da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) no relatório.

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Fonte: G1 DF

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