Ataque a criança: Ausência de ala psiquiátrica em presídios pode soltar agressor
Decisão do CNJ sobre saúde mental no sistema prisional levanta debate sobre segurança pública e tratamento de detentos.

Israel Sousa, detido por esfaquear uma criança no Entorno, enfrenta a possibilidade de responder ao crime em liberdade. A situação é consequência direta de uma resolução recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que estabelece o encerramento das alas psiquiátricas em unidades prisionais, visando humanizar o tratamento de indivíduos com transtornos mentais.
A decisão do CNJ, que entrou em vigor no final de fevereiro, determina que pessoas com sofrimento mental ou deficiência psicossocial, acusadas ou condenadas, não devem permanecer em presídios comuns. Em vez disso, a medida prevê o encaminhamento para tratamento em serviços de saúde públicos ou hospitais psiquiátricos, com o monitoramento de equipes multidisciplinares.
Contudo, a realidade dos sistemas de saúde e prisional não acompanha a velocidade da determinação. A ausência de leitos especializados ou instituições adequadas para abrigar e tratar esses indivíduos levanta um impasse. No caso de Israel Sousa, ele já havia sido diagnosticado com transtornos mentais e, antes do incidente, estava em liberdade condicional após internação em uma clínica psiquiátrica.
Autoridades e familiares da vítima expressam preocupação com a segurança pública. A liberação de indivíduos com histórico de violência e transtornos sem um acompanhamento rigoroso e estruturas de tratamento adequadas gera um risco iminente para a comunidade, especialmente considerando a gravidade do crime cometido.
A promotora de Justiça Mariana Nunes salienta que o problema não reside apenas na falta de leitos, mas na carência de um sistema integrado de saúde mental que possa absorver a demanda vinda do sistema prisional. A resolução do CNJ, embora bem-intencionada na proteção dos direitos dos pacientes, esbarra na infraestrutura deficitária, criando um vácuo que coloca em xeque a efetividade da justiça e a segurança da população.
O debate agora se concentra em como o poder público irá conciliar a determinação do CNJ com a necessidade de proteção social. A criação de novas estruturas de saúde mental, a capacitação de profissionais e a elaboração de planos de acompanhamento robustos são cruciais para evitar que casos como o de Israel Sousa se tornem mais frequentes, garantindo tanto o tratamento adequado quanto a segurança da sociedade.
Fonte: Metrópoles - DF
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