BRB: Celina Leão Vincula Balanço a Empréstimo Bilionário para Evitar Crise
Governadora interina do Distrito Federal afirma que divulgação de resultados financeiros só ocorrerá após aporte de R$ 6,6 bilhões para sanar rombo.
A governadora interina do Distrito Federal, Celina Leão (PP), declarou que o balanço do Banco de Brasília (BRB) somente será divulgado após a concretização de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões. A fala, proferida após o primeiro debate eleitoral para 2026, enfatiza a urgência da situação: "O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo se não o banco é liquidado", afirmou Leão, revelando a gravidade da conjuntura financeira do BRB.
Desde novembro de 2025, o BRB não publica seus resultados patrimoniais, período que coincide com o surgimento das fragilidades causadas pelas transações com o Banco Master. A expectativa é que a divulgação do balanço revele que o banco estatal opera abaixo dos limites de segurança estabelecidos pelo Banco Central, tornando o empréstimo crucial para sua estabilidade.
O aporte financeiro, solicitado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ainda pende de aprovação. A expectativa é que a questão seja debatida em uma audiência de conciliação convocada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, envolvendo os principais bancos públicos e privados do país.
A atual crise do BRB tem raízes em negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que totalizaram cerca de R$ 30 bilhões. Uma investigação da Polícia Federal, deflagrada na Operação Compliance Zero em novembro de 2025, apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias ligadas a essas transações.
Em abril deste ano, a investigação avançou com a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A PF alega que Costa teria autorizado negócios com o Banco Master sem lastro adequado e sem seguir as práticas de governança exigidas, contribuindo para o déficit atual.
O BRB estima que ao menos R$ 8,8 bilhões dos créditos adquiridos do Banco Master são títulos inexistentes, fraudulentos ou de difícil recuperação, configurando o que se denomina "crédito podre". Embora o governo projete recuperar R$ 2,2 bilhões por meio de outras ações, os R$ 6,6 bilhões restantes dependem diretamente do empréstimo para cobrir o rombo patrimonial e evitar consequências mais drásticas para a instituição.
Fonte: G1 DF
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