Cade avalia efeitos da venda de direitos de transmissão do futebol


Nota técnica aponta necessidade de investigar contratos coletivos entre clubes da Séries A e B e investidora
Os contratos de investimento firmados entre os clubes e a SME envolvem a aquisição de participações de 10% a 20% dos direitos de arena e de propriedades comerciais relacionadas ao Campeonato Brasileiro das séries A e B, por um período de 50 anos, de 2025 a 2074 Reprodução/Flickr Brasileirão - 7.out.2026 PODER360 16.out.2026 (sexta-feira) - 11h09 Priorize o Poder no Google O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprofundou a análise da venda conjunta de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro por clubes ligados à FFU (Futebol Forte União). Em nota técnica de 15 de outubro de 2026, a Superintendência Geral do órgão declarou a operação complexa e determinou diligências adicionais para avaliar possíveis efeitos sobre a concorrência.
O processo tem como requerentes 31 clubes, a FFU e a SME (Sports Media Entertainment). A notificação foi feita em 30 de abril, em cumprimento a acordo firmado com o Cade em 26 de fevereiro, no âmbito de uma Apac (Apuração de Ato de Concentração). Compromisso semelhante foi assinado com a Libra, outro bloco de clubes. Leia a íntegra (PDF – 339 KB).
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A análise abrange os clubes que integram o CFU (Condomínio Forte União), estrutura criada para administrar os direitos cedidos pelos participantes, além de Corinthians e Botafogo-SP. Apesar de não fazerem parte do condomínio, os direitos de transmissão dos 2 clubes também foram negociados em conjunto com os dos integrantes do CFU.
Os contratos de investimento firmados entre os clubes e a SME envolvem a aquisição de participações de 10% a 20% dos direitos de arena e de propriedades comerciais relacionadas ao Campeonato Brasileiro das séries A e B, por um período de 50 anos, de 2025 a 2074. Segundo a convenção do CFU, o condomínio é gerido por uma administradora selecionada pela própria SME, responsável pela gestão dos recursos financeiros e pela representação do condomínio perante terceiros.
O Cade quer aprofundar a análise dos efeitos desses contratos de longo prazo, incluindo o prazo de 50 anos, as condições para entrada e saída do arranjo e das regras de governança do condomínio. O órgão também pretende examinar se há relações verticais entre o CFU e a LiveMode e, caso sejam confirmadas, avaliar seus efeitos sobre a concorrência.
A LiveMode presta serviços comerciais ao CFU e controla a CazéTV , que adquiriu um pacote de direitos de transmissão comercializado pelo condomínio para o ciclo de 2025 a 2029. Segundo a nota técnica, a relação entre a SME e a LiveMode precisa ser esclarecida, inclusive para verificar a existência de possíveis vínculos além da prestação de serviços comerciais.
O documento também registra questionamentos apresentados pelo Operário. O clube afirmou ter tentado recomprar parte dos direitos de transmissão vendidos à SME , sem sucesso até aquele momento. Segundo o Operário, há concentração excessiva de poder no investidor, possível conflito de interesses envolvendo a LiveMode e controle dos fluxos financeiros do bloco. Cuiabá e Atlético Goianiense também são citados na nota como clubes que apontaram dificuldades de relacionamento com a investidora e questões de governança do condomínio. Esses pontos são alegações dos clubes que o Cade considera necessário examinar, não conclusões definitivas do órgão.
A nota cita ainda o Floresta, que disputa a Série C. O clube informou ao Cade que recebeu da SME proposta de compra de 10% de seus direitos de transmissão, associada à adesão ao CFU. A Anaf (Associação Nacional dos Árbitros de Futebol) e a Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol), habilitadas como terceiras interessadas, afirmam que acordos individuais da SME com Vitória, Corinthians e Atlético-MG foram omitidos ou tratados de forma superficial na notificação. O Cade facultou às requerentes explicar as diferenças entre esses arranjos e as condições de entrada e adesão.
Outro ponto de atenção é a coexistência de 2 arranjos comerciais para negociar os direitos de transmissão de clubes que disputam as séries A e B: o CFU, associado à FFU e à SME, e a Libra. A Superintendência Geral afirma ser necessário avaliar os efeitos dessa estrutura sobre a concorrência e sobre os benefícios alegados pelos envolvidos.
Em nota enviada ao Poder360 , a Sports Media Entertainment diz que considera positiva a decisão do Cade de aprofundar a análise da venda coletiva de direitos de transmissão e afirma que apresentará mais informações sobre as eficiências do modelo. A SME também aponta aumento de 93% nas exibições em janelas gratuitas e defende que os contratos de 50 anos são necessários para remunerar os investimentos de longo prazo, feitos com pagamento antecipado pela aquisição de participações minoritárias nos direitos de arena e nas propriedades comerciais dos clubes.
A declaração de complexidade não representa uma condenação dos envolvidos nem uma proibição da operação. A medida determina a realização de diligências adicionais. As requerentes e as entidades interessadas poderão apresentar informações e pareceres complementares em até 10 dias contados da publicação do despacho da Superintendência Geral que admitir a nota técnica.
“Sports Media destaca resultados econômicos da venda coletiva de direitos de transmissão.
“A Sports Media Entertainment considera que o aprofundamento da análise do Cade sobre a comercialização coletiva dos direitos de transmissão dos clubes da Futebol Forte União é positivo e permitirá examinar os resultados econômicos positivos e eficiências do modelo, que reúne investimentos de longo prazo e dezenas de clubes. Além disso, afastará todas as ilações trazidas por terceiros aos autos.
“Estudo da LCA Consultores, apresentado ao Cade, aponta que a receita média de direitos de transmissão dos clubes da S
Fonte: Poder360
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