Campanhas Eleitorais Submersas por Crises e 'Tiktokização', Alerta Fenaj
Federação Nacional dos Jornalistas destaca esvaziamento do debate público e superficialidade nas propostas dos candidatos.

O cenário eleitoral atual é dominado por crises políticas e uma abordagem superficial, conforme análise da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Em entrevista, a presidente da Fenaj, Samira de Castro, apontou que a dinâmica das campanhas se tornou excessivamente focada em conteúdos rápidos e de pouco aprofundamento, fenômeno que ela descreveu como a "tiktokização" do processo eleitoral.
Castro ressaltou que a constante exposição a crises institucionais, como a envolvendo o Poder Judiciário e a Polícia Federal, acaba por monopolizar a atenção da mídia e do público. Essa cobertura intensiva, embora necessária para informar, desvia o foco das discussões programáticas e das propostas que realmente interessam à população, relegando-as a um segundo plano e comprometendo o debate qualificado sobre os rumos do país.
A busca incessante por audiência e engajamento instantâneo por parte de veículos de comunicação também contribui para essa superficialidade. A lógica de marketing adotada pelas candidaturas, priorizando mensagens curtas e visuais em detrimento de explanações detalhadas, transforma o processo eleitoral em um espetáculo de dancinhas e clichês, conforme explicitado pela presidente da Fenaj.
A consequência direta é o prejuízo ao debate substancial. Pautas importantes como as mudanças climáticas, a gestão de recursos naturais e o desenvolvimento econômico, que deveriam ser central no período eleitoral, são marginalizadas. A sociedade, por sua vez, é privada da oportunidade de avaliar profundamente os projetos de governo e as qualificações dos candidatos, impactando diretamente na qualidade da escolha democrática.
Diante deste panorama, a Fenaj propõe que o jornalismo assuma um papel mais proativo. É fundamental que, mesmo cobrindo as crises que geram grande interesse público, a imprensa insista na "segunda agenda": a de debater as questões estruturais do país com pluralidade de fontes e profundidade, indo além do mero jornalismo declaratório e da reprodução de declarações sem contexto. Essa abordagem é crucial para fortalecer a cidadania e a consciência política do eleitorado.
Samira de Castro sublinha a necessidade de os jornalistas questionarem o próprio papel em meio a um contexto de disputas políticas intensas e vazamentos seletivos. A responsabilidade do jornalismo em compartilhar informações relevantes para o interesse público, que gerem cidadania, torna-se ainda mais premente, evitando que a lógica das redes sociais dite a pauta e empobreça o conteúdo informativo das campanhas.
Para a Fenaj, o empobrecimento das campanhas eleitorais é evidente, com poucos candidatos demonstrando disposição para discutir seriamente os desafios do país. É um alerta para a mídia e para a sociedade sobre a urgência de resgatar a profundidade e a relevância do debate político, garantindo que as eleições sejam um momento de reflexão e escolha consciente sobre o futuro.
Fonte: Agência Brasil - Política
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