Cenipa divulga relatório final de acidente da Voepass que matou 62 pessoas
Investigação técnica aponta fatores que contribuíram para a tragédia aérea de 2024 em Vinhedo; PF ainda apura crimes.
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Após anos de extensa investigação, o Cenipa apresentou as conclusões sobre a tragédia aérea envolvendo um avião da Voepass em 9 de agosto de 2024. A aeronave, que fazia a rota Cascavel (PR) a Guarulhos (SP), caiu em um condomínio em Vinhedo (SP), tirando a vida de 58 passageiros e quatro tripulantes, configurando o acidente aéreo mais grave no Brasil desde 2007.
O relatório final do Cenipa, resultado de uma análise minuciosa da Força Aérea Brasileira (FAB), buscou identificar os fatores que levaram à queda. Este documento técnico não tem como objetivo atribuir culpa criminal, mas sim fornecer recomendações para aumentar a segurança da aviação e prevenir futuros acidentes. Paralelamente, uma investigação criminal conduzida pela Polícia Federal (PF) apura a existência de eventuais crimes, com previsão de conclusão em breve.
Desde o início das apurações, o Cenipa analisou as caixas-pretas, reconstruiu o voo e examinou motores, sistemas de degelo e proteção contra estol. Além disso, considerou as condições meteorológicas, entrevistas com envolvidos, histórico de voos da frota e testes em simuladores, incluindo um voo experimental com outro ATR 72-500. Mais de 15 mil voos foram estudados, e diversos documentos técnicos, registros de manutenção e certificados foram avaliados, submetendo o documento à revisão internacional por autoridades aeronáuticas da França e Canadá.
Um relatório preliminar, um mês após o acidente, já indicava condições severas de formação de gelo e possíveis falhas no sistema antigelo da aeronave. Naquele momento, observou-se que o sistema foi acionado e desligado diversas vezes, sem determinar se isso foi uma ação deliberada da tripulação ou um problema técnico. Notícias exclusivas divulgadas pela imprensa apontaram a omissão de uma falha nesse sistema no diário de bordo horas antes da decolagem, relatada por um ex-funcionário.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu as operações da Voepass em março de 2025 e, posteriormente, cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da empresa, impedindo sua atuação comercial. Essas medidas foram tomadas enquanto as investigações da tragédia avançavam, refletindo a gravidade do ocorrido e as preocupações com a segurança operacional.
A Polícia Federal, em sua investigação criminal, permitiu o acesso de familiares às transcrições das conversas na cabine, gravadas no momento crucial que antecedeu a queda. Esse material é peça fundamental para o laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) e pode determinar eventuais indiciamentos, esclarecendo se houve negligência ou falhas que possam ser tipificadas como crime. A família das vítimas aguarda ansiosamente a conclusão dos trabalhos da PF e o encaminhamento ao Ministério Público Federal (MPF).
A Voepass, em comunicado, classificou o acidente como o momento mais difícil de sua história, reforçando a colaboração com as investigações e a assistência psicológica às famílias. A empresa sustentou que sua frota sempre esteve aeronavegável e apta a voar, defendendo que apenas o relatório final do Cenipa poderia apontar as causas conclusivas do sinistro.
Fonte: G1 DF
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