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Cenipa divulga relatório final sobre queda do voo Voepass, que matou 62

Documento sobre acidente de 2024 abordará fatores contribuintes e recomendações para segurança aérea. Entenda os pontos cruciais.

Redação Cerrado em Foco
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Cenipa divulga relatório final sobre queda do voo Voepass, que matou 62

Quase dois anos após o trágico acidente aéreo que chocou o Brasil, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) tornou público o relatório final detalhando a queda do voo 2283 da Voepass. A aeronave, um ATR 72-500, caiu em Vinhedo (SP) em 9 de agosto de 2024, resultando na morte de 62 ocupantes – 58 passageiros e quatro tripulantes.

O aguardado documento, que possui caráter exclusivamente preventivo, não visa apontar culpados, mas sim identificar os fatores que contribuíram para o desastre e apresentar recomendações cruciais para aprimorar a segurança do transporte aéreo nacional. A investigação minuciosa envolveu análise de caixas-pretas, exames de sistemas, condições meteorológicas, testes em simuladores e depoimentos de profissionais.

Entre as questões centrais que o relatório se propõe a esclarecer, o papel do gelo na queda da aeronave figura como um dos pontos mais relevantes. Imagens e análises indicam que o avião voou em condições de gelo severo, um cenário de emergência que pode comprometer a sustentação. A eficácia do sistema de degelo, que foi acionado diversas vezes durante o voo, é outro ponto de investigação, levantando dúvidas sobre seu funcionamento correto.

Especialistas também questionam se houve comunicação adequada sobre possíveis falhas no sistema de degelo, tanto antes quanto durante o voo, e se os pilotos seguiram os protocolos de segurança para a situação. Relatos de um ex-funcionário da Voepass apontam para uma possível notificação verbal de problemas antes da decolagem, sem registro formal no diário técnico.

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Além disso, o relatório deve analisar a fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e verificar se alguma falha regulatória ou de monitoramento contribuiu para o acidente. A comissão externa da Câmara dos Deputados chegou a classificar a atuação da Anac como “hesitante” em um relatório prévio.

Por fim, busca-se entender se o acidente revela a necessidade de melhorias na fabricação do ATR 72-500 ou nos protocolos operacionais da Voepass, incluindo a prática de “canibalização” de peças, já citada pela comissão da Câmara. As lições aprendidas com essa tragédia são fundamentais para evitar que eventos semelhantes se repitam, fortalecendo a segurança da aviação civil.

A Voepass, que teve suas operações suspensas e posteriormente seu Certificado de Operador Aéreo cassado após o acidente, afirmou que aguardaria o relatório final para se pronunciar. A empresa reiterou sua colaboração com as investigações e a aptidão de sua frota aos padrões internacionais, destacando o episódio como o mais difícil de sua história.

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Fonte: G1 DF

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