Como o vento muda: após atacar Celina, Avante agora declara apoio


Partido comandado por Gim Argello, que esteve no campo de oposição à governadora durante a campanha, muda de posição após TSE barrar Arruda e passa a apoiar a reeleição de Celina na reta final
A política é feita de divergências, disputas, rompimentos e, muitas vezes, reencontros que poucos imaginariam meses antes. No Distrito Federal, as últimas horas produziram um exemplo quase didático dessa máxima.
O Avante , comandado regionalmente pelo ex-senador Gim Argello, anunciou nesta quinta-feira (24) apoio à reeleição da governadora Celina Leão (PP).
A mudança ocorreu no mesmo dia em que o Tribunal Superior Eleitoral manteve, por 5 votos a 2, o indeferimento do registro de José Roberto Arruda (PSD), candidato que havia contado com o apoio do Avante no início da disputa pelo Palácio do Buriti.
O movimento chama atenção porque coloca agora no mesmo campo político grupos que passaram boa parte do processo eleitoral em lados opostos.
É a velha máxima de que, na política, tudo pode mudar como o vento. Afinal, política também é a arte de dialogar — inclusive com quem ontem estava do outro lado.
Para entender a dimensão da mudança, é preciso voltar algumas semanas.
O Avante iniciou formalmente esta eleição ao lado de Arruda. Em 1º de agosto, a legenda participou com o PSD da convenção que oficializou a candidatura do ex-governador ao GDF.
O grupo de Gim Argello pretendia ocupar espaço na chapa majoritária, mas Arruda acabou escolhendo Luiz Pitiman (PSD) para a vice. Em 6 de agosto, o Avante rompeu com o projeto e começou a discutir outros caminhos eleitorais. Celina já aparecia, naquele momento, entre as alternativas consideradas por integrantes do partido.
Ontem, a aproximação finalmente se transformou em apoio público.
Durante encontro realizado na Casa Cury, no Conic, Gim Argello anunciou a decisão da legenda de acompanhar Celina nesta reta final. Como o prazo para formação das coligações já terminou, trata-se de apoio político, e não da entrada formal do Avante na coligação registrada pela governadora.
Talvez seja justamente esse o aspecto politicamente mais interessante da decisão.
O Avante esteve no campo adversário de Celina e integrantes ligados ao partido fizeram oposição dura à governadora durante a campanha. Agora, com a reconfiguração provocada pelo afastamento de Arruda da disputa e pelo rompimento anterior entre Avante e PSD, os antigos adversários sentam à mesma mesa.
Celina, em vez de explorar publicamente as divergências anteriores, adotou um discurso de conciliação.
Ela reconheceu que o partido tinha outro candidato e considerou natural que seus integrantes tivessem defendido aquele projeto. Ao receber o apoio, disse que a decisão inaugura um novo momento e aumenta sua responsabilidade em relação ao grupo que agora passa a acompanhá-la.
Gim Argello também utilizou um argumento interessante para justificar a escolha: palavra e cumprimento de compromissos .
O dirigente afirmou que esse aspecto pesou na decisão de apoiar Celina e revelou também ter tido um desentendimento com Arruda durante a campanha.
Os adversários de ontem podem ser os aliados de amanhã quando interesses, projetos e circunstâncias se modificam.
Isso não apaga o que foi dito durante a campanha nem transforma automaticamente antigas divergências em concordâncias. Mas demonstra que a atividade política, quando exercida dentro das regras democráticas, pressupõe justamente a capacidade de conversar com quem pensa diferente.
A movimentação aconteceu poucas horas depois de o TSE impor uma derrota decisiva a Arruda.
Por 5 votos a 2, o Tribunal manteve o indeferimento de seu registro. O relator Dias Toffoli foi acompanhado por Ricardo Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha divergiram.
A decisão retirou da disputa jurídica um candidato que ainda concentrava parcela relevante das intenções de voto.
O apoio do Avante a Celina é uma dessas consequências políticas, embora as declarações divulgadas no encontro não estabeleçam que a decisão do TSE tenha sido a única razão da adesão. O rompimento do partido com Arruda, afinal, já havia ocorrido em agosto.
O momento escolhido pela legenda também coincide com uma posição confortável da governadora nas pesquisas.
O Datafolha divulgado nesta quinta-feira (24) mostrou Celina com 42% das intenções de voto no cenário sem Arruda . Leandro Grass (PT) aparece com 23%, Paula Belmonte (PSDB) com 7% e Ricardo Cappelli (PSB) com 5%.
O levantamento ouviu 910 eleitores entre 22 e 24 de setembro, possui margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob os números DF-01888/2026 e BR-06769/2026.
Isso significa uma vantagem nominal de 19 pontos percentuais entre Celina e Grass no cenário sem o ex-governador.
O dado não permite afirmar antecipadamente o resultado da eleição nem para onde irão os votos dos eleitores que apoiavam Arruda. Mas ajuda a explicar o ambiente político no qual acontece a adesão do Avante: Celina chega à reta final na liderança, enquanto os partidos reorganizam suas estratégias depois da decisão do TSE.
A entrada do Avante no campo de Celina produz uma imagem curiosa desta eleição.
Um partido que começou a campanha participando da convenção de Arruda, rompeu com ele, esteve politicamente distante da governadora e agora chega aos últimos dias pedindo votos para sua reeleição.
Para alguns, certamente parecerá. Para outros, é simplesmente política.
Alianças não são eternas. Adversários também não precisam permanecer inimigos para sempre. A democracia funciona justamente porque divergências podem ser substituídas pelo diálogo quando aparecem pontos de convergência. Isso não significa esquecer o passado recente.
O Avante terá naturalmente de explicar aos próprios eleitores como passou da oposição ao apoio. Celina, por sua vez, terá de administrar uma base que recebe antigos adversários justamente
Fonte: Opinião Brasília
Leia também
CulturaDatafolha: Flávio lidera intenções de voto no DF com 41%; Lula tem 34%
Distrito Federal Datafolha: Flávio lidera intenções de voto no DF com 41%; Lula tem 34% Em um eventual segundo turno, cenário inverte e Lula aparece com 51% de vantagem contra 41% para Flávio Thamires Almeida 25/09/2026 19:24 Arte Metrópoles Ler resumo Pesquisa Datafolha: Flávio Bolsonaro registra 4
CulturaMalafaia manda Lula “lavar a boca” após críticas à Igreja da Lagoinha
Pastor afirmou que ofensas à instituição atingem todos os evangélicos e criticou declarações do presidente
CulturaMacklemore fará turnê em apoio à Palestina após polêmica com Ed Sheeran
Rapper foi retirado da programação do cantor britânico depois de pedir “paz em Gaza e na Cisjordânia” durante um show
Mais lidas
- 1Nara Ayres Britto, advogada e filha de ex-ministro, celebra casamento
- 2Filha mata pai cadeirante em Bragança Paulista e transmite crime online
- 3Acidente entre caminhões deixa dois mortos na DF-290, próximo ao Gama
- 4Lula Eleva Herói da Guerra do Paraguai a Marechal Honorífico
- 5Plataforma Fatal Model busca investidores na XP Expert para expansão