Consignado CLT: Jovens Lideram Contratação, mas Pegam Menos Crédito
Análise da fintech Bull revela perfil distinto entre gerações na modalidade de empréstimo.

Apesar de representarem a maior fatia dos solicitantes de crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada, os mais jovens empregados no setor privado demonstram um perfil de endividamento mais conservador. Dados levantados pela fintech Bull, especializada no setor, indicam que essa parcela da população economicamente ativa se inclina a contratar valores inferiores e com prazos de pagamento mais curtos, quando comparada a colegas mais experientes.
O levantamento detalhado pela Bull, com base em milhões de pedidos processados em sua plataforma, revela uma inversão de tendências ao observar a faixa etária. Enquanto jovens entre 18 e 30 anos são majoritários na demanda pelo produto, os trabalhadores com idade superior a 45 anos se destacam por solicitar empréstimos de valores mais robustos e com períodos de amortização significativamente mais longos.
Essa diferença de comportamento pode ser atribuída a diversos fatores socioeconômicos e de maturidade financeira. Os mais jovens, muitas vezes em início de carreira e com estabilidade profissional ainda em consolidação, podem buscar o crédito para despesas pontuais ou investimentos de menor porte. Já os indivíduos mais velhos, com maior tempo de serviço e possivelmente salários mais elevados, podem utilizar o consignado para projetos maiores, como quitação de outras dívidas, reformas ou investimentos pessoais de maior vulto.
A modalidade de crédito consignado para celetistas, que deduz as parcelas diretamente da folha de pagamento, oferece menores taxas de juros por ter riscos reduzidos de inadimplência. Este fator a torna atraente para todas as faixas etárias, mas o estudo evidencia como cada grupo a utiliza de maneira estratégica e alinhada às suas necessidades e capacidades financeiras.
Especialistas do mercado financeiro sugerem que essa dinâmica reflete a gestão de risco individual. Jovens podem ser mais cautelosos devido a uma menor reserva financeira e menos experiência com crédito, preferindo comprometer uma parcela menor de sua renda por um período mais curto. Por outro lado, a maior estabilidade e poder de compra dos trabalhadores mais maduros lhes permitiria assumir compromissos financeiros de maior envergadura.
Os resultados da pesquisa sublinham a importância de políticas de educação financeira adaptadas às diferentes gerações. Compreender os padrões de consumo e endividamento de cada grupo demográfico é crucial para bancos e fintechs desenvolverem produtos e serviços mais customizados, que atendam efetivamente às necessidades específicas de cada perfil de cliente no mercado de crédito consignado.
Fonte: Poder360
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