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Diamante Superprofundo e o Mistério da Água no Manto Terrestre

Pesquisa inédita revela role da goethita no ciclo hídrico profundo da Terra

Redação Cerrado em Foco
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Diamante Superprofundo e o Mistério da Água no Manto Terrestre

Cientistas da Universidade de Okayama, no Japão, descobriram em um diamante superprofundo — formado a cerca de 610 km de profundidade no manto terrestre — a presença de inclusões de goethita que, sob certas condições, carregam moléculas de água. Esta descoberta revoluciona o entendimento sobre o ciclo da água no interior do nosso planeta, indicando um mecanismo até então subestimado para o transporte hídrico em grandes profundidades.

Tradicionalmente, a olivina e a wadsleyíta eram consideradas as principais formas de transporte de água para o interior da Terra. A nova pesquisa, contudo, eleva a goethita a um patamar de destaque, especialmente porque esse mineral pode se transformar em piroxena, uma fase estável que retém água em altas pressões e temperaturas, características do manto inferior.

O diamante analisado foi encontrado no rio Juína, em Mato Grosso, e é um tesouro geológico que encapsula condições extremas da Terra profunda. Sua análise detalhada, que combinou espectroscopia Raman e análise de difração de raios-X, foi essencial para identificar as inclusões de goethita e entender suas implicações.

A equipe de pesquisa, liderada por Evan Smith, do Instituto Gemológico da América (GIA), utilizou técnicas avançadas para simular as condições de pressão e temperatura do manto. Eles observaram que a goethita, sob essas condições, pode se transformar em uma forma cristalina de piroxena que contém moléculas de água, possibilitando que a água permaneça aprisionada em rochas até profundidades de 700 quilômetros ou mais.

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A implicação mais significativa dessa pesquisa é a revisão do modelo do ciclo hidrológico terrestre. Se mais água do que se pensava for transportada para o manto inferior por meio da goethita, isso pode ter impactos profundos na geodinâmica do planeta, incluindo a convecção do manto, o vulcanismo e até mesmo a atividade sísmica.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Science Advances e são considerados um avanço notável na mineralogia e geofísica. A compreensão de como a água circula nas profundezas da Terra é fundamental para desvendar mistérios sobre a formação e evolução do nosso planeta, e este diamante de Juína abriu uma nova janela para essa complexa interconexão geológica.

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Fonte: Poder360

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