Disputa por vagas na CLDF registra menor número de candidatos em décadas
Novas regras eleitorais impactam cenário político local, com queda expressiva de concorrentes para deputado distrital.
A disputa por uma cadeira na Câmara Legislativa local (CLDF) nas próximas eleições apresenta um cenário sem precedentes nas últimas décadas: o número de candidatos a deputado distrital atingiu seu menor patamar histórico. Registros preliminares indicam 427 concorrentes, uma queda de aproximadamente 30% em comparação com o pleito anterior, que contou com 610 nomes. Esse volume se aproxima dos 406 candidatos observados em 1990, quando o cargo foi disputado pela primeira vez.
Essa redução não é exclusiva para os assentos legislativos locais. A queda se manifesta em outras corridas eleitorais na capital federal, como a de governador, que passou de 12 para 11 candidatos, e a de deputado federal, que viu seus números caírem de 216 para 167, o menor índice desde 2014. A única exceção foi a disputa pelo Senado, que manteve o mesmo número de candidaturas do pleito anterior.
Especialistas em política atribuem essa diminuição generalizada a uma série de novas regras eleitorais implementadas nos últimos anos. O cientista político Lúcio Rennó, professor da Universidade de Brasília (UnB), destaca a influência da cláusula de desempenho, que estabelece metas para que partidos tenham acesso ao fundo partidário, e a imposição de limites no número de indicações permitidas a cada legenda ou federação.
Rennó explica que as reformas tinham como objetivo principal reduzir o número excessivo de partidos e, consequentemente, o volume de candidatos. “Houve uma mudança na regra do número de candidatos que partidos ou federações podem nomear. No passado, era um número bem maior do que é hoje. Duas medidas voltadas a reduzir o número de partidos, e uma a reduzir de fato o número de candidatos estão tendo efeito”, afirma o professor.
Embora o professor reconheça que a menor quantidade de opções pode facilitar a decisão do eleitor, ele adverte sobre possíveis implicações. “Por outro lado, uma crítica possível é que você torna o sistema um pouco mais concentrado e elitizado. São menos pessoas com acesso à disputa do cargo e isso, do ponto de vista democrático, pode ser criticado sim”, pondera Rennó, levantando a questão da acessibilidade e representatividade no processo democrático.
Paralelamente à diminuição do número de candidatos, o perfil do eleitorado também registra alterações significativas. Houve uma queda de 38% no número de eleitores jovens, com 19.194 adolescentes entre 16 e 17 anos aptos a votar, contra mais de 31 mil no pleito anterior. Em contrapartida, a participação de idosos (acima de 70 anos) aumentou consideravelmente, passando de 154.327 para 203.409 aptos ao voto, evidenciando uma mudança demográfica relevante no corpo eleitoral.
O cenário de redução de candidaturas não se restringe à capital, acompanhando uma tendência nacional observada em outras unidades da federação. As eleições, cujo primeiro turno está agendado para 4 de outubro, prometem ser um teste para os efeitos dessas recentes reformas, que buscam otimizar o sistema político mas geram discussões sobre seus impactos na diversidade e representatividade.
Fonte: G1 DF
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