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Economia

Especialistas da ONU veem restrições da Meta em eleições no Brasil

Redação Cerrado em Foco••2 visualizações
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Especialistas da ONU veem restrições da Meta em eleições no Brasil
Especialistas da ONU veem restrições da Meta em eleições no Brasil - imagem 2

Informações sugerem queda de alcance nas contas de um lado da disputa; PT diz que a big tech quer favorecer Flávio Bolsonaro

Campanha de Lula (à dir.) acusa a Meta de favorecer Flávio Bolsonaro (à esq.). A empresa nega. Especialistas da ONU pediram explicações sobre restrições na disputa Sérgio Lima/Poder360 Lara Brito de Brasília 21.out.2026 (quarta-feira) - 13h46 Priorize o Poder no Google Especialistas independentes da ONU pediram nesta 4ª feira (21.out.2026) que a Meta avalie se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial restringiram de forma desproporcional um dos lados da disputa presidencial. Também cobraram da empresa explicações e reparação a quem foi afetado.

O comunicado não cita candidatos nominalmente. Fala em “um dos candidatos” e em “um dos lados” da corrida. O 2º turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está marcado para 25 de outubro. Leia a íntegra da manifestação (PDF – 256 KB).

A manifestação veio diante de uma série de acusações do PT contra a Meta. A campanha de Lula diz que a empresa tenta interferir a favor de Flávio. Entre os relatos, o perfil de Lula ficou impedido de impulsionar conteúdos no feed do Instagram entre 9 e a manhã de 10 de outubro.

O texto afirma que relatos de restrição à expressão política legítima nas plataformas da Meta preocupam. Os especialistas citam liberdade de expressão, associação, participação política e igualdade de tratamento entre posições políticas.

Observadores internacionais, segundo o comunicado, relataram:

Assinam o texto os relatores especiais Leopoldo Maldonado Gutiérrez (liberdade de expressão), Margaret Satterthwaite (independência de juízes e advogados), Gina Romero (reunião pacífica e associação) e Andrea Bolaños Vargas (defensores de direitos humanos). Também assina o Grupo de Trabalho sobre Empresas e Direitos Humanos.

Os especialistas são nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas atuam de forma voluntária e independente. Não são funcionários da organização, e as opiniões expressas não representam necessariamente a posição da ONU.

Eles dizem que os monitoramentos mostram milhares de contas e publicações com suspensões, perda de visibilidade e limites de compartilhamento. Entre elas há contas de jornalistas, defensores de direitos humanos e criadores de conteúdo.

Segundo o texto, informações, inclusive de funcionários da Meta, sugerem que contas ligadas a um dos lados foram afetadas de forma desproporcional. “Algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação de conteúdo não devem se tornar árbitros invisíveis da discussão política” , disseram.

O grupo pede que a Meta aplique as regras de forma consistente e sem discriminação. Também cobra diálogo transparente com a sociedade civil e que as reclamações sejam tratadas durante o período eleitoral.

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O comunicado menciona a decisão de um juiz do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ele mandou a Meta aplicar as mesmas regras aos dois candidatos até o 2º turno e proibiu restrições desiguais a alcance, recomendações e buscas.

Os especialistas também fizeram um alerta aos magistrados. Disseram que restrições à expressão política, inclusive em plataformas privadas, exigem devido processo e recursos efetivos. Afirmaram que juízes devem ter “cautela especial” ao analisar esses pedidos.

Antes do 1º turno, a campanha recorreu contra a restrição da conta de anúncios do candidato na Meta desabilitada em 23 de setembro.

A campanha também levou o caso à OEA (Organização dos Estados Americanos). E a manifestação da ONU veio depois que o time de Lula chamou observadores internacionais do TSE para apresentar um relatório sobre o suposto favorecimento a Flávio .

O marqueteiro Sidônio Palmeira ligou a suspeita aos Estados Unidos . Disse que a Meta sempre beneficiou a “extrema-direita” e que “estão objetivamente interferindo nas eleições dos brasileiros” .

A preocupação com uma possível atuação dos Estados Unidos a favor de Flávio Bolsonaro é monitorada pelo Palácio do Planalto desde o início do ano. O alerta se acendeu em janeiro, depois da operação norte-americana na Venezuela que levou à captura de Nicolás Maduro .

A avaliação no governo é que Donald Trump (partido Republicano) tem uma inclinação aos Bolsonaros. Essa leitura ganhou força com o novo tarifaço anunciado em julho , baseado na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Desde então, auxiliares de Lula passaram a associar as medidas norte-americanas à política eleitoral brasileira e a uma tentativa de interferência na disputa. Para o Planalto, a pressão dos EUA sobre a regulação de big techs, o Pix e mineiras criticos integra esse movimento.

No TSE, a campanha move mais de 90 ações sobre redes sociais. A principal acusa a Meta de restringir o alcance das postagens de Lula e de não remover contas automatizadas que atacam o presidente. Nesta 3ª feira (20.out), o PT lançou um site para reunir queixas de “censura” e “restrições” de alcance nas redes.

Em nota divulgada em 16 de outubro, a Meta negou ter interferido ou favorecido candidatos, mas admitiu que falhas técnicas temporárias atingiram a campanha de Lula. A empresa disse que problemas também afetaram outros candidatos. Segundo a companhia, cerca de 70% das intervenções e restrições nas contas de Lula decorreram de decisões do TSE. A empresa chamou o processo de “narrativa política” .

Procurada pelo Poder360 nesta 4ª feira (21.out), a Meta ainda não se manifestou.

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Fonte: Poder360

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