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Educação

Flávio Bolsonaro tem apoio discreto de artistas para Presidência em 2026

Candidato do PL busca alianças pontuais, enquanto campanha não prioriza mobilização artística em sua estratégia.

Redação Cerrado em Foco•
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Flávio Bolsonaro tem apoio discreto de artistas para Presidência em 2026
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O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), enfrenta um cenário de dificuldades para angariar apoios públicos expressivos de artistas em sua campanha eleitoral de 2026. Este panorama contrasta com o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve o endosso de mais de 100 artistas, intelectuais e produtores através de um manifesto em prol de sua reeleição.

Flávio Bolsonaro conseguiu apoios diretos de algumas personalidades. O cantor sertanejo Amado Batista, por exemplo, recebeu o senador e membros do PL em sua fazenda em Goianápolis (GO). A apresentadora Penélope Nova também publicou uma foto ao lado do congressista em suas redes sociais.

Em outros casos, o apoio se manifestou de forma indireta ou por meio de mensagens direcionadas. Um vídeo compartilhado pela candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Bia Kicis (PL), mostra o cantor Leonardo respondendo a um pedido de “alô” para Lula com a frase: “Alô, Flávio, um abraço para você”. Em abril de 2026, Flávio divulgou um registro com Zezé Di Camargo, no qual o artista enviou uma mensagem de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas não mencionou o candidato do PL à Presidência. Zezé Di Camargo declarou a Jair Bolsonaro: “Primeiramente, dizer para você o quanto você é importante. Você deve ter noção disso, mas o quanto você é importante para o povo do Brasil. Eu viajo o país inteiro e vejo o quanto você é amado pelas pessoas, verdadeiramente. Eu queria te dizer que, independente das circunstâncias, a gente está com você”. O cantor Netinho, aliado do ex-presidente, publicou um vídeo pedindo a comparecimento dos eleitores às urnas para “mudar o Brasil”, afirmando que “Ninguém aguenta mais como está”, mas sem citar Flávio. O jogador Neymar, que autografou uma camisa da Seleção Brasileira para Flávio Bolsonaro em 16 de agosto de 2026, no 1º dia da campanha eleitoral, antes da partida entre Vasco e Santos no Campeonato Brasileiro, não declarou apoio público à candidatura de Flávio. O senador chegou a publicar uma foto ao lado do atleta após a convocação de Neymar para a Seleção, afirmando que “já sabia” da lista e que o “hexa” viria.

Em 25 de setembro de 2026, uma sexta-feira, Flávio Bolsonaro recebeu apoio de 16 personalidades através de um vídeo, que pedia aos eleitores para “endireitarem” o Brasil “logo no 1º turno”. Entre os participantes estavam influenciadores como Firmino Cortada e Mônica Salgado. Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e coordenadora do plano econômico de Flávio – que propõe um modelo fiscal mais austero, corte de ministérios e revisão do arcabouço fiscal –, também está no vídeo e teve seu nome ventilado como possível vice na chapa presidencial.

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Este cenário difere da eleição de 2022, quando tanto Jair Bolsonaro quanto Lula buscaram a mobilização de celebridades, atletas e artistas para atrair eleitores indecisos. O gênero sertanejo, que é o mais ouvido no Brasil e transcende preferências políticas, foi um foco particular. Em 17 de outubro de 2022, no 2º turno, o ex-presidente Bolsonaro reuniu sertanejos no Palácio da Alvorada, incluindo Leonardo, Chitãozinho (da dupla com Xororó), Fernando Zor (da dupla com Sorocaba), George Henrique (da dupla com Rodrigo) e Sula Miranda. Na Festa do Peão de Barretos, Lula e seu grupo político são frequentemente alvo de xingamentos e ataques, como ocorreu na edição de 2026.

Apesar de Flávio Bolsonaro ter subido ao palco e discursado em Barretos junto ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sua participação não resultou em apoio expresso de muitos dos artistas que haviam apoiado seu pai quatro anos antes. Gustavo Alonso, historiador e professor da Universidade Federal de Pernambuco que pesquisa música sertaneja, atribui o silêncio a um “certo desânimo que está em todo mundo nessa eleição” e ressalta a necessidade de nuances na relação entre o grupo político ligado a Bolsonaro e a música sertaneja. “Os sertanejos estão pensando o 1º turno como 1º turno e não como 2º turno”, explicou Alonso.

Atualmente, a campanha de Flávio Bolsonaro não adotou a mobilização de artistas como prioridade. A estratégia do candidato tem se concentrado em eventos regionais – com viagens ao Nordeste e ao Sudeste –, transmissões ao vivo nas redes sociais e críticas ao Supremo Tribunal Federal. Aliados do governo minimizam o impacto das declarações de artistas. Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá (RJ), comentou em 15 de setembro de 2026 sobre o evento de Lula com a classe artística na Fundição Progresso, no Rio, que contou com Caetano Veloso, Chico Buarque e Maria Bethânia. Quaquá afirmou que a presença desses músicos não altera o resultado das urnas, declarando: “Não há dúvida de que Caetano, Chico e Bethânia são grandes artistas, mas eles já votam no Lula. Precisamos ganhar o voto de quem não vota nele. Do cantor gospel, do sertanejo. Política é agregar o que não tem”.

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Fonte: Poder360

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