Fóssil de cobra Tametara mirim encontrado em SP elucida mistérios evolutivos
Pesquisa publicada na revista 'Nature' sugere que cobras ancestrais eram subterrâneas, desvendando nova perspectiva sobre sua origem.

Cientistas brasileiros e estrangeiros fizeram uma descoberta notável: o fóssil de uma cobra com aproximadamente 115 milhões de anos, batizada de Tametara mirim. Este achado, proveniente do interior paulista, oferece novas perspectivas sobre a origem e a evolução das serpentes, desafiando teorias pré-existentes sobre seu habitat ancestral.
A pesquisa, que contou com a participação do paleontólogo brasileiro Annie Hsiou, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), e pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá, foi detalhada na renomada revista 'Nature'. O estudo aponta que as cobras primordiais não eram marinhas, como algumas hipóteses sugeriam, mas sim adaptadas à vida subterrânea.
A Tametara mirim, com seu corpo esguio e pequeno, apresenta características anatômicas que corroboram essa teoria. Seus olhos, por exemplo, são pequenos, o que seria uma adaptação a ambientes com pouca luz, como tocas e galerias subterrâneas. Além disso, a estrutura do crânio e do esqueleto sugere uma capacidade de escavação, fortalecendo a tese do hábito fossorial.
Esta descoberta é crucial, pois preenche uma lacuna significativa no registro fóssil das cobras. Até então, havia poucas evidências diretas sobre os primeiros estágios da evolução desses animais. A análise aprofundada da Tametara mirim permite aos cientistas reconstruir com maior precisão o ambiente e o estilo de vida de seus ancestrais comuns.
Os pesquisadores destacam que a Tametara mirim possuía pequenas patas traseiras, uma característica vestigial presente em algumas cobras modernas, como as jiboias. Essa particularidade reforça a ideia de uma transição gradual de répteis com membros para as formas sem patas que conhecemos hoje, consolidando a compreensão sobre a perda de apêndices locomotores ao longo da evolução serpentina.
O impacto desta pesquisa é vasto, alterando a linha do tempo e as hipóteses sobre a divergência das cobras de seus ancestrais lagartos. A compreensão do passado desses répteis milenares é fundamental para entender sua incrível diversidade atual e sua adaptação a praticamente todos os ecossistemas do planeta.
Fonte: Poder360
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