Governo pode gastar até R$ 9 bilhões em leilão de dívidas


Fazenda estima negociar até R$ 90 bilhões em débitos com desconto mínimo de 90%; valor final ainda será definido
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nova etapa do Desenrola para a compra de dívidas de pessoas físicas e microempreendedores Washington Costa/Ministério da Fazenda - 8.out.2026 Simone Kafruni de Brasília 21.out.2026 (quarta-feira) - 18h11 Priorize o Poder no Google O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá gastar até R$ 9 bilhões para comprar dívidas de pessoas físicas e MEIs (microempreendedores individuais) no âmbito do Desenrola 3.0. O valor considera uma carteira estimada em R$ 90 bilhões e o desconto mínimo de 90% exigido das instituições financeiras que participarem do leilão.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan , anunciou nesta 4ª feira (21.out.2026) que o governo publicará na 5ª feira (22.out.) um edital para identificar os bancos e fundos interessados em vender suas carteiras de dívidas. A iniciativa integra o pacote de medidas de renegociação de débitos anunciado pelo governo Lula em ano eleitoral, às vésperas do 2º turno.
Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, que participou do anúncio, caso os R$ 90 bilhões em dívidas sejam ofertados, a compra de toda a carteira exigiria, no máximo, R$ 9 bilhões, considerando o desconto mínimo de 90%.
“Se no limite esses R$ 90 bilhões de dívidas forem ofertados, de partida a gente saberia que no máximo consumiriam R$ 9 bilhões para a gente adquirir tudo”, afirmou Ceron.
O montante, porém, não representa uma despesa já autorizada para o leilão. Durigan afirmou que o governo ainda avaliará o volume das dívidas oferecidas, as faixas de renda dos devedores e as condições fiscais antes de definir quanto efetivamente será gasto.
“Não necessariamente será sobre todo o montante dos R$ 90 bilhões” , declarou o ministro.
O Desenrola 3.0 terá como alvo dívidas com atraso de 2 a 4 anos e meio. O governo pretende adquirir esses créditos com descontos de pelo menos 90%, conforme estabelece a medida provisória que autoriza a operação.
Durigan afirmou que a competição entre as instituições financeiras poderá elevar os descontos para 93%, 95% ou mais.
Segundo Ceron os deságios poderão chegar a 95%, 96% ou 97%, o que reduziria o desembolso necessário para adquirir as carteiras.
A Fazenda pretende priorizar os devedores de menor renda, mas também receberá informações sobre dívidas de pessoas que ganham mais de 5 salários mínimos. A definição dos beneficiários dependerá do volume de créditos apresentado pelos bancos.
O edital de 5ª feira será direcionado exclusivamente aos credores. Bancos, fundos de investimento em direitos creditórios e outras instituições terão 5 dias úteis para informar as carteiras que pretendem oferecer.
Essa manifestação será obrigatória para a participação no leilão de compra, previsto inicialmente para novembro, com possibilidade de ficar para o começo de dezembro.
Durigan afirmou que a iniciativa pretende retirar dívidas antigas dos balanços dos credores e permitir que famílias e microempreendedores voltem a ter acesso ao crédito.
O ministro também criticou a proposta de renegociação de dívidas apresentada pelo candidato de oposição, Flávio Bolsonaro, que classificou como uma espécie de “calote generalizado no sistema financeiro”.
Segundo Durigan, o modelo do governo busca preservar as instituições financeiras e, ao mesmo tempo, recuperar a capacidade de endividamento das famílias.
A nova etapa do Desenrola se soma às medidas anunciadas pelo governo Lula em 2026 para renegociar dívidas e ampliar o acesso ao crédito.
O impacto fiscal efetivo ainda é desconhecido. A Fazenda não informou a dotação orçamentária que financiará as aquisições nem o volume final de recursos públicos que será destinado ao programa.
A definição ficará para depois da manifestação dos credores e da análise das carteiras, em um cronograma que poderá levar a realização do leilão para depois das eleições.
Fonte: Poder360
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