Ianomâmis relatam problemas com saúde e garimpo; Damares quer plano decenal


A subcomissão do Senado que acompanha a crise humanitária dos ianomâmis promoveu na sexta-feira (30) uma audiência pública no município de São Gabriel da Cachoeira (AM). Na reunião, os indígenas relataram dificuldades no acesso à saúde, falta de segurança e persistência do garimpo ilegal. Também foram discutidas as denúncias de entrada de guerrilheiros na região de fronteira.
Durante o encontro, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) anunciou a criação de um fórum com representantes dos povos indígenas e do governo com o objetivo de soluções conjuntas para os problemas dessas comunidades.
Além disso, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu a criação de um plano decenal de investimentos nesse território. Ela é a presidente da subcomissão.
Essa audiência pública fez parte das diligências que a subcomissão fez no estado do Amazonas entre os dias 29 (com uma visita a Manaus), 30 e 31 (com a visita a São Gabriel da Cachoeira, que incluiu a audiência pública).
A terra indígena ianomâmi, homologada em 1992, é a maior terra indígena do país. Em sua área — de aproximadamente 9,66 milhões de hectares — há 438 aldeias, em oito municípios distribuídos pelos estados de Amazonas e Roraima.
Segundo Damares Alves, nos últimos três anos foram destinados R$ 2,2 bilhões para ações emergenciais no território ianomâmi e R$ 3,7 bilhões para a saúde indígena. Ela sugeriu que, diante da persistência dos problemas, o governo federal elabore um planejamento de longo prazo, com recursos específicos para ações humanitárias e estruturantes.
— A emergência já vai completar quatro anos. Será que não está na hora de criarmos um plano de dez anos e garantir, para as ações humanitárias, pelo menos dez anos de orçamento especial? Mas esse orçamento tem de chegar também a São Gabriel da Cachoeira — declarou a senadora.
São Gabriel da Cachoeira, no extremo noroeste do Amazonas, possui cerca de 108 mil quilômetros quadrados de extensão territorial e ocupa uma posição estratégica na fronteira com a Colômbia e a Venezuela.
Além disso, o município abriga a segunda maior população indígena do país, com cerca de 48,3 mil indígenas, o equivalente a 93,2% de seus habitantes (segundo o Censo 2022 do IBGE). As comunidades indígenas estão dispersas em áreas remotas do município, o que dificulta a oferta de serviços públicos e a assistência à saúde.
Também participou da audiência a presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lucia Alberta Baré. Ela destacou, entre as ações do governo federal, a retirada de aproximadamente 95% dos garimpeiros ilegais da região e a distribuição de mais de 210 mil cestas de alimentos.
Baré também citou as ações do governo destinadas à proteção territorial, à segurança alimentar e ao fortalecimento das atividades produtivas na terra ianomâmi. Mas ela reconheceu a necessidade de ampliar a fiscalização, melhorar a logística de acesso às comunidades e recuperar áreas degradadas.
A presidente da Funai anunciou durante a audiência a criação de um fórum territorial — com representantes dos povos indígenas e de órgãos dos governos federal, estadual e municipal — para discutir problemas e buscar soluções conjuntas.
Segundo ela, o fórum deverá tratar de questões como segurança territorial (principalmente nas fronteiras com a Colômbia e Venezuela), consumo excessivo de álcool nas comunidades e dificuldades na execução de recursos públicos destinados a esse território.
Outra questão levantada pela senadora Damares Alves foram as denúncias de que guerrilheiros estariam entrando nos territórios indígenas pela fronteira com a Colômbia.
O comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, general Luiz Antonio Campos Mota, informou que houve relatos sobre isso feitos por moradores da comunidade de São Felipe, na região do Alto Tiquié, em São Gabriel da Cachoeira. Ele ressaltou que, em resposta, o Exército intensificou as operações militares e o reconhecimento de fronteira.
— Buscamos saturar a área com operações militares, para dissuadir ou até mesmo impedir qualquer intenção de algum grupo de não nacionais que queiram se instalar ou ameaçar as populações indígenas daquela região — afirmou Mota.
O general também enfatizou a participação das comunidades indígenas na identificação de possíveis ameaças. Segundo ele, 65% dos militares da brigada são indígenas de diferentes etnias, o que fortalece a atuação do Exército e a comunicação com as comunidades locais.
Além disso, Mota frisou que todas as denúncias recebidas são verificadas e que eventuais práticas criminosas constatadas são encaminhadas às autoridades competentes.
Os representantes do povo ianomâmi presentes na audiência relataram a persistência do garimpo ilegal em determinadas áreas do território, especialmente na região do Pico da Neblina.
Também apontaram dificuldades no acesso aos serviços de saúde e a falta de estrutura para atendimento às comunidades mais isoladas.
O representante da Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (Ayrca), João da Silva Figueiredo, denunciou a presença de garimpeiros nas proximidades das cabeceiras do rio Cauaburis — onde, segundo ele, a degradação ambiental compromete áreas tradicionalmente utilizadas pelos indígenas para a caça e a subsistência.
— Existe garimpo; ele não parou por aí. Na região do Pico sempre tem garimpeiro. É lá que está sendo mais destruída essa área, onde é o ponto de nossas caçadas — afirmou.
A subcomissão do Senado que acompanha a crise humanitária dos ianomâmis está vinculada à Comissão de Direitos Humanos da Casa (CDH), que também é presidida por Damares Alves.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: Comissão de Direitos Humanos (CDH) Senadora Damares Alves Amazonas Colômbia Crise humanitária Direitos Humanos Fronteiras Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) Indígenas Militares Roraima Saúde Venezuela
Fonte: Senado Federal - Notícias
Leia também
SaúdeSenado aprova sessões especiais em homenagem a síndicos e biomédicos
O Senado aprovou nesta terça-feira (3) dois requerimentos para a realização de sessões especiais, em homenagem aos síndicos e aos profissionais da biomedicina. As cerimônias foram solicitadas para os dias 27 de novembro e 3 de dezembro, respectivamente. Os dois requerimentos são de iniciativa do sen
Lula vai a São Paulo para fazer exames de rotina nesta terça-feira
O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva viajará a São Paulo no final da tarde desta terça-feira (3) para fazer exames de rotina. A informação foi confirmada nesta tarde pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Em comunicado à imprensa, a secretaria informou que
SaúdeCorpo de enfermeira que teve reação alérgica após comer frutos do mar em Portugal é velado 13 dias após a morte
Amanda Marinho Nascimento, enfermeira do DF, morre em Portugal Reprodução/Redes sociais O corpo de Amanda Marinho Nascimento, brasileira que morreu após comer frutos do mar durante lua de mel em Portugal em 21 de outubro, será velado na tarde desta terça-feira (3). O velório ocorre 13 dias após a mo
Mais lidas
- 1Veja ato de Lula na av. Paulista em imagens captadas do alto
- 2AtlasIntel confirma PoderData/Aya e dá Flávio com 53% e Lula com 47%
- 3Lula e Flávio têm 49% cada um no 2º turno no Amazonas, diz PoderData
- 4Pazolini tem 52% dos votos válidos e Ferraço, 48%, diz pesquisa
- 5Exército do Lula: canal de Janones chega a 6 milhões de seguidores