Inflação acima do teto reduz espaço para corte de juros


IPCA acumulado chegou a 4,58% em 12 meses, pressionado por energia, combustíveis e serviços
Alta dos preços aumenta o desafio do Banco Central para controlar a inflação Sérgio Lima/Poder360 — 2.mar.2017 Simone Kafruni de Brasília 9.out.2026 (sexta-feira) - 14h51 Priorize o Poder no Google A inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58% em setembro, acima do teto de 4,5% da meta contínua perseguida pelo Banco Central. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,82% no mês, depois de registrar deflação de 0,32% em agosto, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta 6ª feira (9.out.2026).
A alta da energia elétrica, dos combustíveis e dos serviços torna menos favorável o cenário para a redução dos juros. A valorização do real pode ajudar a conter os preços de produtos importados, mas economistas avaliam que o alívio cambial não elimina os riscos associados ao petróleo e à inflação persistente em segmentos ligados à demanda doméstica.
O grupo Habitação subiu 2,31% e respondeu por 0,35 ponto percentual do IPCA. A energia elétrica residencial avançou 7,98%, com impacto de 0,32 ponto percentual no índice, principalmente pelo fim do efeito do Bônus de Itaipu, que havia reduzido as contas de luz em agosto.
Para Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, o resultado reforça a percepção de que o processo de desinflação perdeu força no 3º trimestre de 2026. “A alta simultânea em todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE sugere que a inflação segue relativamente disseminada” , afirmou.
A trajetória dos combustíveis é um dos fatores que podem influenciar as próximas decisões do Banco Central. Em setembro, a gasolina subiu 1,21%, o diesel avançou 1,69% e as passagens aéreas ficaram 9,66% mais caras. O grupo Transportes teve alta de 0,89%.
Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, afirma que a valorização do real ajuda a amortecer a pressão externa, mas não neutraliza o efeito do petróleo caro sobre a economia brasileira. O dólar mais baixo reduz o custo de produtos e insumos importados, enquanto a alta da commodity pode encarecer combustíveis e transporte.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, estima que a valorização do real possa retirar de 0,3 a 0,5 ponto percentual do IPCA, principalmente pelo barateamento de alimentos e bens industriais. O alívio, porém, não seria suficiente para justificar uma aceleração expressiva dos cortes da Selic enquanto energia, petróleo e serviços permanecerem pressionados.
Gabriel Pestana, economista da Genial, também vê obstáculos à desaceleração dos preços. “Combustíveis mais caros pressionam o transporte e os custos de outros produtos, especialmente alimentos” , declarou. A instituição mantém em 5,2% sua projeção para o IPCA de 2026.
A inflação de serviços é outro fator que limita o espaço para reduzir os juros. Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (Associação Nacional das Corretoras de Valores), afirmou que a média dos núcleos de inflação acelerou de 0,23% para 0,36%, sinalizando maior resistência dos preços.
Roberto Luis Troster, coordenador do Cefeb (Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras), relaciona essa persistência à baixa desocupação e aos ganhos salariais reais. Para ele, os preços de serviços intensivos em mão de obra continuam resistentes à desaceleração.
“O resultado reforça uma postura mais cautelosa do Copom e reduz o espaço para novos cortes na Selic” , afirmou Troster. O economista considera razoável uma pausa no ciclo de redução dos juros na reunião de 3 e 4 de novembro.
Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, também avalia que a fase mais benigna da inflação ficou para trás. Segundo ela, a composição do IPCA indica que o 4º trimestre de 2026 deverá ser mais complexo para a trajetória dos preços.
A decisão do Banco Central dependerá, portanto, da evolução dos próximos indicadores e das expectativas de inflação. O dólar mais baixo pode contribuir para aliviar os preços, mas a persistência da pressão sobre energia, combustíveis e serviços reduz a margem para acelerar a flexibilização monetária.
Fonte: Poder360
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