Justiça Britânica Mantém Bloqueio de Bens de Ex-Engenheiro da Petrobras
Decisão do Supremo Tribunal Federal de anular acordo da Lava Jato não impede ação em Londres, que considera apreensão de £7,3 milhões válida.

A Suprema Corte do Reino Unido referendou o bloqueio de 7,3 milhões de libras esterlinas, equivalentes a aproximadamente 51 milhões de reais, pertencentes a um ex-engenheiro da Petrobras envolvido em casos de corrupção. A decisão, proferida nesta terça-feira (25) em Londres, estabelece que a Justiça britânica prosseguirá com a análise do confisco dos ativos, apesar de uma recente determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil.
O ministro Dias Toffoli, do STF, havia anulado em maio o acordo de cooperação internacional que permitia o compartilhamento de dados com o Reino Unido, essencial para a Operação Lava Jato. Contudo, o juiz Andrew Henshaw, da Divisão de Chancelaria da Suprema Corte de Justiça de Londres, optou por desconsiderar a decisão brasileira, classificando-a como "altamente incomum" e sem precedentes.
Para o magistrado britânico, a medida do STF, que visava proteger a soberania brasileira, não afeta a validade da apreensão dos fundos realizada por autoridades inglesas. Ele destacou que o processo em Londres não depende da validade contínua do acordo de colaboração anulado, pois a apreensão inicial dos bens já havia ocorrido e a investigação no Reino Unido possui embasamento próprio.
Os recursos em questão foram identificados em contas bancárias na Inglaterra e seriam provenientes de atividades ilícitas ligadas ao esquema de corrupção na estatal brasileira. O ex-engenheiro é acusado de receber propinas em troca de favorecimento em contratos da Petrobras, desvendados pela Operação Lava Jato.
A posição da Justiça britânica reforça a complexidade das relações jurídicas transnacionais e a independência dos sistemas judiciais. A decisão pode influenciar outras ações internacionais envolvendo ativos desviados do Brasil, mostrando que anulações em solo nacional podem não ter efeito direto em jurisdições estrangeiras.
Representantes do ex-engenheiro, cuja identidade não foi detalhada na decisão, tentaram usar a anulação do STF como argumento para desbloquear os fundos, mas não obtiveram sucesso. O processo agora segue para fases adicionais em Londres, onde a origem e o destino final dos valores confiscados serão determinados de acordo com a legislação britânica.
A manutenção do confisco por Londres indica uma postura firme contra a lavagem de dinheiro e a corrupção transnacional. As autoridades britânicas demonstram compromisso em rastrear e apreender bens adquiridos por meios ilícitos, mesmo diante de reviravoltas jurídicas em países de origem dos envolvidos.
A decisão inglesa serve como um alerta para indivíduos que buscam esconder ativos provenientes de crimes em paraísos fiscais ou centros financeiros globais, reiterando que a justiça internacional pode operar independentemente de decisões internas, especialmente quando há evidências robustas de práticas corruptas.
Fonte: Poder360
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