Liminar Suspende Normas da ANTT contra Transporte Clandestino
Decisão judicial atende a empresas de aplicativos, questionando base de novas regulamentações. Setor de transporte regular alerta para possíveis riscos elevados.

A Justiça Federal suspendeu as recentes regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) destinadas a coibir o transporte rodoviário clandestino de passageiros. A liminar foi emitida em resposta a ações movidas por empresas de aplicativos de viagens, que argumentaram que a agência implementou as novas sanções sem a devida fundamentação técnica e estudos prévios.
A decisão judicial paralisa os efeitos da Resolução nº 6.033, publicada em dezembro de 2023, que alterava as penalidades para o transporte irregular. As empresas reclamantes sustentam que as modificações trazidas pela ANTT eram excessivamente punitivas e desproporcionais, podendo afetar a operação de plataformas que conectam passageiros a motoristas, mesmo que em modalidades distintas do transporte rodoviário convencional.
Representantes do setor de transporte regular, como a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), manifestaram forte apreensão com a liminar. Segundo a Abrati, a suspensão das normas da ANTT pode abrir precedentes perigosos e intensificar a atividade de transportes sem a devida regulamentação e fiscalização, comprometendo a segurança dos usuários e a concorrência leal no mercado.
A ANTT, por sua vez, havia defendido que as novas regras eram essenciais para proteger os passageiros e garantir a ordem no sistema de transporte rodoviário interestadual e internacional. A agência busca coibir práticas que colocam em risco a vida e a integridade física dos viajantes, além de minar a sustentabilidade das empresas que operam de acordo com todas as exigências legais e de segurança.
O debate entre a flexibilidade oferecida pelos aplicativos e a necessidade de regulamentação para o transporte de passageiros é antigo e complexo. As empresas de tecnologia defendem a inovação e a liberdade econômica, enquanto os órgãos reguladores e as operadoras tradicionais enfatizam a importância da segurança, da fiscalização e da igualdade de condições para todos os prestadores de serviço.
Com a liminar, a ANTT deverá recorrer da decisão, buscando reverter a suspensão das normas. A expectativa é que o processo se estenda, gerando incertezas sobre o futuro da fiscalização do transporte de passageiros no país e as responsabilidades de cada modalidade de serviço. A comunidade jurídica e os setores envolvidos acompanham atentamente os desdobramentos deste caso, que pode redefinir o cenário do transporte rodoviário.
Enquanto a questão não é definitivamente resolvida, a decisão judicial reacende a discussão sobre o papel das agências reguladoras frente às novas tecnologias e modelos de negócio. A segurança dos passageiros e a equidade competitiva continuam sendo os pontos centrais da controvérsia, exigindo uma solução que concilie os interesses de todos os envolvidos.
Fonte: Poder360
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