Limite à recomendação nas redes desafia estratégia digital de Lula; entenda


Regra eleitoral restringe recomendação de posts de perfis oficiais de candidatos em 2026; campanha aposta em influenciadores e apoiadores para ampliar alcance de Lula no 2º turno
O movimento busca enfrentar um desafio imposto pela própria dinâmica da campanha digital: uma regra do Tribunal Superior Eleitoral determina que os perfis oficiais informados à Justiça Eleitoral e os conteúdos publicados por eles sejam excluídos dos sistemas de recomendação das plataformas, salvo nos casos de impulsionamento pago.
Isso reduz a capacidade das contas oficiais de alcançar organicamente usuários que ainda não acompanham o candidato e aumenta a importância de influenciadores, aliados e outros perfis capazes de fazer a mensagem circular para além da base já formada.
A norma vale também para Flávio Bolsonaro (PL) e para as demais candidaturas que informaram seus perfis à Justiça Eleitoral.
Para Lula, a limitação ganha peso justamente quando sua campanha tenta ampliar a presença digital depois do 1º turno. Flávio recebeu 56.104.268 votos , ou 47,03% dos válidos, enquanto Lula teve 53.876.617, ou 45,16% . O 2º turno será realizado em 25 de outubro.
Na 4ª feira (7.out.2026), Lula publicou um vídeo no estilo selfie , gravado diretamente pelo celular, ao convocar apoiadores para as ruas. O formato faz parte de uma tentativa de adotar uma comunicação mais direta nas redes no início do 2º turno. A ideia de adotar esse formato de vídeo partiu de Rafael Fonteles , governador reeleito do Piauí e integrante do PT.
A campanha também convocou políticos com grande votação e presença digital para discutir uma atuação conjunta nas redes durante a nova etapa da disputa.
A busca por essa rede de terceiros se dá num cenário de diferença de escala entre os 2 campos políticos. Levantamento da Bites divulgado na 4ª feira (7.out.) mostra que os deputados do PL somam 210 milhões de seguidores , ante 72 milhões de PT e aliados.
Desde o 1º turno, Flávio ganhou 1,2 milhão de seguidores, contra 392 mil de Lula . O petista lidera no total de interações, com 7,2 milhões ante 5,8 milhões, mas publicou muito mais. Na média, cada post de Flávio teve 448 mil interações, contra 102 mil de Lula. Ou seja, o senador registrou maior engajamento.
Segundo Manoel Fernandes, diretor da Agência Bites , a diferença mostra a importância da rede de aliados na propagação de percepções sobre os candidatos. Para ele, o movimento de Lula para reunir políticos com forte presença digital é necessário, mas ocorre tardiamente na campanha.
“ Seguidor não é voto, mas ajuda na propagação de percepções sobre os candidatos, tanto na direção negativa quanto na positiva. Numa disputa de 3 semanas, a capacidade de mobilizar rapidamente uma base pesa; nas métricas apresentadas, a rede em torno de Flávio tem maior escala e engajamento” , declarou.
A limitação está no artigo 28 da Resolução 23.610.2019 do TSE que regulamenta a propaganda eleitoral na internet. A regra foi incluída em 2024 pela Resolução 23.732 e segue em vigor nas eleições de 2026.
A resolução determina que plataformas com sistemas de recomendação excluam desses mecanismos os perfis oficiais informados à Justiça Eleitoral e, salvo nos casos de impulsionamento pago, os conteúdos publicados nessas contas.
Na prática, a regra não impede que candidatos publiquem nem que seus seguidores vejam, curtam ou compartilhem o conteúdo. O limite está na distribuição feita pelo próprio sistema de recomendação da plataforma.
Assim, quem já segue Lula ou Flávio pode continuar recebendo suas publicações. O que a norma busca impedir é que o algoritmo use as contas oficiais para apresentar organicamente esses conteúdos a novos públicos por mecanismos de descoberta e recomendação.
Para que o filtro seja aplicado, candidatos, partidos, federações e coligações devem informar à Justiça Eleitoral os endereços digitais usados na campanha. Contas criadas durante o período eleitoral precisam ser comunicadas em até 24 horas.
Em 2026, o TSE também estabeleceu que um endereço já existente, mas não informado no registro, só pode ser usado na campanha 48 horas depois de ser comunicado.
O impulsionamento pago é uma exceção. As campanhas podem pagar para ampliar o alcance de suas próprias publicações, dentro das regras eleitorais, mas não usar esse mecanismo para propaganda negativa contra adversários.
A saída, que é a que Lula mira agora no 2º turno, é a circulação por contas de terceiros. A restrição não impede, por exemplo, que uma fala publicada por Lula ou Flávio seja compartilhada, comentada ou recriada por um influenciador, aliado ou usuário comum e, a partir desse outro perfil, alcance novas audiências.
É por isso que a capacidade de formar uma rede de distribuição ganha peso no 2º turno. A disputa não depende apenas do tamanho das contas dos presidenciáveis, mas também de quantas outras pessoas conseguem reproduzir e espalhar suas mensagens, ou seja, “furar a bolha” .
Os planos apresentados pelas empresas ao TSE ajudam a mostrar como a regra funciona na prática.
O X informou que, desde 14 de agosto, exclui do “Para Você” as contas oficiais de candidatos e as publicações desses perfis para usuários que ainda não os seguem. A empresa criou um filtro chamado Brazil2026ElectionFilter e informou ter incorporado o mecanismo ao código aberto de seu algoritmo.
O TikTok adotou medida semelhante. Segundo o plano de conformidade apresentado ao TSE, contas oficiais identificadas a partir da relação fornecida pela Justiça Eleitoral não podem ser recomendadas no feed “Para Você”, principal área de descoberta de vídeos da plataforma.
A empresa informou ainda que as publicações desses candidatos teriam visibilidade reduzida nos resultados de busca.
Em 2026, 9 plataformas apresentaram ao TSE planos de conformidade com as normas eleitorais: Google, Kwai, LinkedIn, Mercado Livre, Meta, OpenAI, Telegram, TikTok e X. Leia a íntegra de cada plano:
Os planos de X e Meta indicam que a restrição segue
Fonte: Poder360
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