Lula equipara Moraes a Toffoli, Mendonça e Kassio no caso Master


Presidente defende mandatos para integrantes da Corte, questiona vínculos com escritórios de advocacia e diz que Congresso poderá agir
“Era o mais implicado. O Toffoli também está implicado. O André Mendonça também está implicado. E o quarto está implicado. Agora está todo mundo implicado”, declarou em sabatina à TV Globo Sérgio Lima/Poder360 - 8.abril.2026 Mariana Aquino de Brasília 15.out.2026 (quinta-feira) - 22h15 Priorize o Poder no Google O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 5ª feira (15.out.2026) que os ministros Alexandre de Moraes , Dias Toffoli e André Mendonça , do Supremo Tribunal Federal, estão implicados no caso Banco Master. O petista também fez referência a um 4º integrante da Corte, sem citar seu nome.
A declaração foi dada durante entrevista ao “Jornal Nacional” , da TV Globo , conduzida pela jornalista Renata Lo Prete. Lula foi questionado sobre as suspeitas envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Master. “[…] O Toffoli também está implicado, o André Mendonça também está implicado e o Kassio também. Agora está todo mundo implicado” , disse o petista.
A fala foi uma resposta à jornalista, que afirmou que Moraes era, até aquele momento, o ministro mais implicado nas suspeitas relacionadas a Vorcaro. Lula defendeu que as investigações não se concentrem em apenas um integrante do Tribunal.
O presidente também foi questionado sobre o pedido de vista do ministro Flávio Dino, indicado por ele ao Supremo, que interrompeu a análise de uma investigação sobre a conduta de Moraes.
“Eu não tenho como interferir na decisão de um ministro da Suprema Corte. Eles pedem vista quando querem pedir vista” , afirmou.
Segundo Lula, Dino pretendia que os casos envolvendo diferentes ministros fossem analisados na mesma sessão. “Porque a denúncia paira sobre todos” , disse.
O presidente disse não ter condições de avaliar juridicamente a decisão de Dino, mas defendeu a apuração das suspeitas e a responsabilização de eventuais envolvidos.
“Não tem como imaginar que a sociedade vai aceitar que se coloque um tapete em cima disso e se esqueça o que aconteceu” , declarou.
Renata Lo Prete: “ Eu agora quero retomar a questão das dificuldades que eu apontei, o senhor não concordou muito comigo, as dificuldades na relação com o Congresso. Depois a gente pode continuar a falar sobre isso. E essas dificuldades, eu lembro, somadas à tentativa de golpe na transição, fizeram com que o senhor se valesse bastante do Supremo neste seu 3º mandato. Supremo que está às voltas agora com a maior crise de reputação da sua história por causa do caso Master. O senhor fez várias observações sobre o Supremo, mas demorou a comentar com mais clareza as suspeitas que pairam sobre vários ministros. E só agora, depois do 1º turno, o senhor usou uma palavra mais dura, “promiscuidade”, para se referir ao que acontece no tribunal. O senhor diria que o seu desempenho nas urnas no 1º turno foi afetado pela crise do Supremo?”
Lula: “Eu não tenho uma avaliação disso, Renata. Sinceramente, eu não tenho. Obviamente que a extrema direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas, porque eles querem cassar o Alexandre de Moraes não é por conta do Banco Master apenas. Eles querem cassar o Alexandre de Moraes porque o Alexandre de Moraes prendeu o pai do Bolsonaro. Essa é que é a questão que está em jogo. Essa que é a questão. E hoje a Polícia Federal esteve no Rio de Janeiro interferindo numa das pessoas importantes do clã do Bolsonaro, o Canellas, que foi preso e que a mãe do Flávio ia ser suplente dele no Senado”.
Renata Lo Prete: “Deixa eu não perder um pouco o assunto aqui, porque o senhor estava falando do Supremo, o senhor mencionou o ministro Alexandre, e eu tenho uma outra pergunta complementar sobre isso. Acho que vai dar uma possibilidade para o senhor esclarecer. O senhor tem defendido mesmo que se apurem todas as responsabilidades, mas eu me pergunto se não fica difícil para a população considerar que é esse mesmo o propósito do governo se, de repente, um ministro como Flávio Dino, que foi indicado pelo senhor, é seu aliado histórico, chega lá e faz um pedido de vista que impede que exista uma investigação sobre a conduta do Alexandre de Moraes, que, de fato, candidato, é o ministro até aqui mais implicado com o Daniel Vorcaro”.
Lula: “ Era o mais implicado. Era o mais implicado. O Toffoli também está implicado. O André Mendonça também está implicado. E o quarto está implicado. Agora está todo mundo implicado.”
Renata Lo Prete: “Mas parece que a gente está tratando casos diferentes de maneira igual.”
Lula: “Eu não tenho como interferir na decisão de um ministro da Suprema Corte. Eles pedem vista quando querem pedir vista e não pedem vista.”
Renata Lo Prete: “Por que o Flávio Dino pediu vista?”
Lula: “Porque o Flávio Dino queria que tudo fosse jogado na mesma sessão, na mesma sessão. Porque a denúncia paira sobre todos. Hoje a denúncia paira sobre todos. Então, o Flávio Dino fez aquilo que é de direito dele. Eu não tenho nenhum conhecimento jurídico para saber se o Flávio Dino estava certo ou não de pedir vista. Todo dia se pede vista de alguma coisa lá. O dado concreto, o dado concreto é que eu vou dizer o que eu já disse numa outra entrevista que eu fiz aqui, quando eu disse que não é possível imaginar que a sociedade brasileira vai aceitar que não seja apurado tudo e sobretudo, e que não fique pedra sobre pedra e que se puna quem precisar punir. Não tem como imaginar que a sociedade vai aceitar que se coloque um tapete em cima disso e se esqueça o que aconteceu. Não. É muito grave. Inclusive, a partir do que aconteceu, a gente vai ter que discutir a necessidade de uma reforma do Poder Judiciário, que, aliás, a primeira fui eu que fiz, você está lembrada? Eu, o Jobim, quando era presidente da Suprema Corte, e o Márcio Thomaz Bastos, que era meu ministro
Fonte: Poder360
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