Lula teve 72,6% e Flávio 23,3% em presídios no 1º turno


Levantamento considera votos de presos provisórios, adolescentes internados e funcionários de unidades prisionais; condenados em definitivo não podem votar
Na imagem, trecho de infográfico sobre a quantidade de votos para presidente em presídios, em % de válidos Infografia/Poder360 PODER360 9.out.2026 (sexta-feira) - 6h00 Priorize o Poder no Google O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 72,6% dos votos válidos registrados em seções eleitorais instaladas em presídios e unidades socioeducativas no 1º turno das eleições de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL) teve 23,3%. Os dados são de levantamento realizado pelo Poder360 , com base nos boletins de urna disponibilizados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O resultado contrasta com o observado no conjunto do país. No 1º turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. Os 2 candidatos disputarão o 2º turno em 25 de outubro.
O levantamento identificou 11.190 votos válidos em 243 seções eleitorais classificadas pelo TSE como destinadas a presos provisórios.
Os resultados não representam exclusivamente o voto de pessoas presas. As seções analisadas são destinadas ao atendimento de presos provisórios, ou seja, pessoas que estão detidas, mas ainda não têm condenação criminal definitiva. Também podem votar adolescentes a partir de 16 anos que cumprem medidas socioeducativas de internação, desde que estejam habilitados pela Justiça Eleitoral.
Os presos condenados por sentença criminal transitada em julgado –quando não há mais possibilidade de recurso– têm os direitos políticos suspensos e não podem votar enquanto durarem os efeitos da condenação.
Além disso, as seções instaladas em unidades prisionais podem receber votos de agentes penitenciários, policiais penais, outros servidores dos estabelecimentos e mesários que solicitaram transferência temporária para esses locais.
O direito ao voto dos presos provisórios chegou a ser ameaçado por uma mudança na legislação eleitoral em 2026. A Lei Antifacção, que entrou em vigor em março, estabeleceu a proibição do alistamento eleitoral e do voto de pessoas presas, inclusive aquelas sem condenação definitiva. O TSE suspendeu a aplicação do dispositivo nas eleições deste ano. A Corte entendeu que a mudança viola o princípio da anualidade eleitoral, que impede alterações nas regras eleitorais a menos de um ano da votação. A decisão manteve o direito de voto dos presos provisórios e dos adolescentes internados ao menos para este pleito.
O petista também liderou no número de seções eleitorais em que foi o candidato mais votado. Lula venceu em 218 das 243 seções analisadas, enquanto Flávio ficou à frente em 24. A única seção restante teve vitória de Ronaldo Caiado, que recebeu 19 votos na unidade prisional de Goianésia, em Goiás.
São Paulo concentrou o maior número de seções identificadas, com 55 vitórias de Lula e 6 de Flávio. Na Bahia, o petista venceu em 18 seções e o candidato do PL em uma. No Rio Grande do Sul, Lula liderou em todas as 17 seções analisadas. A liderança se repetiu no Maranhão, com 16. Em Santa Catarina, foram 10 vitórias de Lula e 2 de Flávio. Os dados abrangem estabelecimentos de 24 unidades da Federação.
No Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, onde já estiveram figuras políticas como José Dirceu (PT), Valdemar Costa Neto (PL) e Jair Bolsonaro (PL), Lula recebeu 74 votos, contra 70 de Flávio. Na Penitenciária Feminina 2 de Tremembé, em São Paulo, que já abrigou Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga, o petista teve 59 votos e o candidato do PL, 5.
Já na Penitenciária 2 de Potim, também em São Paulo, Flávio Bolsonaro superou Lula por uma diferença de apenas 1 voto: foram 8 para o senador e 7 para o presidente. O petista venceu, porém, no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão. Teve ampla vantagem com 280 votos, ante 21 do adversário.
O levantamento foi realizado a partir dos dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no conjunto “ Eleitorado por local de votação — 2026 ”, disponível no Portal de Dados Abertos do TSE . A base reúne informações sobre os locais e as seções eleitorais cadastrados para as eleições de 2026, incluindo nome do estabelecimento, município, Estado, zona e seção eleitoral.
Foram selecionados os registros classificados pelo TSE como “ Preso provisório ”. O procedimento resultou na identificação inicial de 245 seções eleitorais, distribuídas por 24 unidades da Federação.
A relação inclui penitenciárias, presídios, cadeias públicas, centros de detenção provisória e unidades socioeducativas destinadas a adolescentes internados. As 245 seções não correspondem necessariamente a 245 estabelecimentos distintos, já que uma mesma unidade pode ter mais de uma seção eleitoral.
Para identificar os resultados da eleição presidencial, os registros foram cruzados com os boletins de urna disponibilizados pelo TSE.
Das 245 seções identificadas, foi possível individualizar os resultados presidenciais de 243. As outras duas estavam agregadas a seções distintas, o que impossibilitou a identificação isolada de seus votos. Eis a íntegra das unidades prisionais consultadas (PDF – 81 kB)
Fonte: Poder360
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