Mídia tradicional critica STF e TSE por melarem debate da “Globo”


Emissora diz que decisão de cancelar o encontro foi tomada diante da “insegurança jurídica” causada por decisões judiciais de última hora
--> copiar link --> Editoriais da “Folha de S.Paulo” e de “O Globo” falam em censura e interferência judicial Reprodução – 1º.out.2026 PODER360 2.out.2026 (sexta-feira) - 10h26 Priorize o Poder no Google Os jornais Folha de S.Paulo e O Globo criticaram, em editoriais publicados na noite de 5ª feira (1º.out.2026), o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral pelas decisões que levaram a TV Globo a cancelar o debate presidencial que seria realizado naquela noite. As publicações falam em desrespeito à liberdade de imprensa e censura.
Em comunicado veiculado ao fim do “Jornal Nacional” , a emissora afirmou que a decisão foi tomada diante da “insegurança jurídica” causada por decisões judiciais de última hora.
O editorial publicado pelo jornal O Globo tem como título “ Sem liberdade não há debate ” . A publicação diz que a emissora “tomou a única decisão cabível” diante “da interferência política da Justiça e das violações à Constituição e à liberdade de imprensa” .
O jornal menciona que a ministra do TSE atendeu a um pedido do PT, que havia assinado o documento com as regras para o debate –entre elas, a que autorizada a exibição do púlpito vazio do candidato que não estivesse presente e a que permitia que fossem dirigidas perguntas aos ausentes.
“ Indicada ao cargo pelo próprio Lula, a ministra Estela Aranha criou um desequilíbrio em favor do candidato petista, em detrimento dos demais postulantes ao Planalto. Depois da decisão, o candidato Flávio Bolsonaro (PL), cuja presença estava confirmada, também anunciou sua desistência ” , diz o editorial.
“Regras prevendo o púlpito vazio também foram adotadas noutros debates na atual campanha e em campanhas anteriores, e não apenas pela ‘Globo’. Em todos, foram respeitadas sem queixas” , declara.
O jornal mencionou o debate realizado pela Band em agosto. “Lula e Flávio faltaram, e o espaço reservado a ambos ficou vazio diante das câmeras” , afirma.
“No primeiro turno na eleição de 2006, o mesmo Lula deixou de comparecer ao debate da Globo –e perguntas foram dirigidas ao púlpito vazio pelos candidatos adversários. Por que as mesmas regras não deveriam valer nesta eleição?” , questiona.
Ao aceitar o pedido do PT, Estela disse que as regras do debate tinham “potencial para causar situação de desequilíbrio entre os participantes”, sem que se observasse “a dinâmica dialética” de um debate.
O Globo classificou como “sem nexo” o argumento. “Para observar a ‘dinâmica dialética’, bastaria a Lula comparecer ao debate. Sua ausência em nada evitaria citações a seu nome. Quem fez mal a si mesmo foi o próprio Lula” , diz.
O jornal escreve: “O debate existe para informar o eleitor sobre ideias e propostas num ambiente jornalístico livre, não numa entrevista controlada. Todos os candidatos deveriam comparecer. Desistir de debater e entrar com o pedido de liminar junto ao TSE demonstra desrespeito não apenas com o documento firmado estabelecendo as regras, mas também com o eleitor” .
Segundo a publicação, a atitude “mancha as até agora limpas credenciais democráticas” de Lula. “Não há condição de realizar um debate livre se a Justiça intervém horas antes numa afronta à liberdade de imprensa. A politização perniciosa que tem acometido os tribunais superiores no Brasil justifica plenamente a decisão da ‘Globo’” , declara.
O editorial da Folha tem como título “ Ataque de juízes prejudica neutralidade da eleição ”. A publicação diz que a “intervenção de Gilmar” e a “censura” da ministra do TSE “para proteger Lula maculam a toga e enfraquecem defesas da democracia” .
O jornal afirma que “um patrimônio da democracia brasileira” está ameaçado. “As constantes e cada vez mais audaciosas intervenções impróprias e partidárias de juízes do Supremo Tribunal Federal no processo eleitoral estão corroendo a autoridade da arbitragem do processo, que deveria ser neutra, previsível e equidistante” , declara.
De acordo com a Folha , o que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “cogitou fazer pela força” está sendo feito por “algumas autoridades que atuaram no seu julgamento”. Essas autoridades, diz a publicação, são “movidas pelo desespero da autopreservação” e “ rasgam a toga, atropelam os ritos e fazem o diabo para favorecer a candidatura” de Lula.
O jornal declara que Renan “ganhou o tíquete de presente” de Gilmar para participar do debate “porque prometia atazanar” Flávio Bolsonaro.
“No pretexto do juiz, de preservar a liberdade de expressão, acredita apenas quem não assistiu ao festival de censuras protagonizado pelo Supremo, com o endosso do decano, nos últimos anos” , diz o texto.
A Folha declara que “censura de fato” não faltou no “episódio abominável” que levou ao cancelamento do debate. Fala em “canetada solitária” de Estela em favor de Lula. Lembra que ela é ligada ao ministro do STF Flávio Dino.
“Na agonia para favorecer o incumbente, agora se decide o que uma emissora pode transmitir ao público num debate. A cadeira vazia, símbolo do desprezo dos candidatos pela prestação de contas, tem uma longa tradição no Brasil. Mas a Lula, casuisticamente, não se aplica” , diz.
“Onde a marcha do arbítrio vai parar não se sabe. Intervir com tal descaramento na mediação do processo em plena disputa eleitoral seria há pouco tempo impensável, algo associado a repúblicas de bananas. Não é mais” , declara.
O jornal diz que “tudo o que os inimigos” da querem “é que o regime se enfraqueça para que seja mais fácil subvertê-lo com seus projetos tirânicos” .
E finaliza afirmando: “É irônico, mas verdadeiro, que a autodestruição seja conduzida por quem tem o dever de defender a Carta” .
Fonte: Poder360
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