Milhares de estudantes vão às ruas em protestos na França


Mobilização contra falta de professores, salas superlotadas e problemas de infraestrutura chega à 3ª semana e pressiona governo
Estudantes durante protestos contra as condições do ensino público na França Reprodução/ X@LucAuffret PODER360 8.out.2026 (quinta-feira) - 12h54 Priorize o Poder no Google Estudantes franceses voltaram às ruas nesta 5ª feira (8.out.2026) para protestar contra as condições das escolas públicas, em uma mobilização que já dura 3 semanas e se espalhou por diferentes regiões do país. Centenas de escolas tiveram entradas bloqueadas, enquanto manifestações foram realizadas em cidades como Paris, Marselha, Lille, Rennes e Nantes.
Segundo a Reuters , os estudantes reivindicam a contratação e substituição de professores ausentes, melhorias na infraestrutura e redução da superlotação nas salas de aula. A mobilização ganhou força mesmo depois de o governo prometer apresentar medidas para enfrentar os problemas.
A agência informou que, na manhã desta 5ª feira, 224 escolas estavam bloqueadas. Até o início da tarde, no horário local, o número havia caído para 157.
Em Paris, em frente ao liceu Hélène-Boucher, estudantes bloquearam uma via e agentes utilizaram gás lacrimogêneo para dispersá-los, segundo relatos da Reuters e da Associated Press .
As queixas incluem salas superlotadas, prédios deteriorados, problemas de infraestrutura e jornadas escolares consideradas excessivas. Em reportagem publicada nesta semana, o The New York Times mostrou a situação do liceu Paul Éluard, em uma região de baixa renda ao norte de Paris. Segundo o jornal, estudantes e professores relataram falta de cadeiras e mesas, instalações provisórias mal isoladas, banheiros em más condições e interrupções frequentes de energia.
A pressão aumentou depois que o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, prometeu apresentar respostas às reivindicações.
De acordo com a Reuters , Lecornu afirmou que o governo anunciará até o fim de outubro medidas “concretas, rápidas e totalmente financiadas” . Ainda não foram divulgados detalhes sobre os valores ou o alcance das mudanças.
O ministro da Educação, Édouard Geffray , prepara um plano emergencial para garantir a substituição de professores ausentes de forma mais permanente. O governo também avalia mudanças nas jornadas escolares e no Parcoursup.
Iniciada em escolas da região de Paris em setembro, a mobilização passou a envolver estudantes universitários, professores, sindicatos, pais e outros grupos.
Na 3ª feira (6.out.2026), mais de 266 mil pessoas participaram de manifestações em todo o país, segundo estimativa do Ministério do Interior. Em Paris, foram contabilizados cerca de 56.000 manifestantes.
Também houve episódios de vandalismo e incêndios. Segundo agências, centenas de pessoas foram presas desde o início dos protestos e dezenas ficaram feridas.
A atuação policial se tornou outro ponto de tensão. O governo suspendeu o uso de granadas de efeito explosivo depois que um adolescente sofreu uma grave lesão na mão .
Organizações de direitos humanos, estudantes e sindicatos criticaram a resposta das forças de segurança, enquanto o governo afirmou que também precisa lidar com episódios de violência contra policiais e funcionários das escolas.
Apesar dos confrontos, as reivindicações dos estudantes têm apoio de parte significativa da população. Uma pesquisa do instituto Elabe para a BFM TV mostrou que 72% dos entrevistados consideram legítimas as demandas. Ao mesmo tempo, 55% disseram que os protestos deveriam terminar.
A mobilização também ganhou dimensão política às vésperas das eleições presidenciais de 2027. A líder da direita, Marine Le Pen (Reagrupamento Nacional), criticou os danos provocados durante as manifestações e defendeu que manifestantes ou seus pais sejam responsabilizados pelos custos de reparação. Já o líder da esquerda, Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa), apoiou os estudantes e criticou a atuação policial.
O governo agora precisa decidir como responder às demandas por mais recursos para a educação em um cenário de pressão sobre as contas públicas, enquanto tenta evitar que a mobilização ganhe proporções ainda maiores.
Fonte: Poder360
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