Moraes recebe Andrei e outros chefes da PF no Supremo


Ministro teve reunião como diretor-geral da Polícia Federal, mesmo ambos estando sob suspeita de envolvimento com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master
O ministro Alexandre de Moraes (esq.), suspeito de ter mantido uma relação ilegal com Daniel Vorcaro, recebeu no Supremo Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF), Leandro Almada (diretor de Inteligência) e o agente Denis de Carli Sérgio Lima/Poder360, Agência Brasil e Reprodução/LinkedIn Denis de Carli PODER360 7.out.2026 (quarta-feira) - 0h10 Priorize o Poder no Google O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, recebeu na 3ª feira (6.out.2026) na sede da Corte o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa, e o agente Denis de Carli. O encontro não foi registrado oficialmente na agenda do magistrado.
Moraes é suspeito de ter atuado de forma ilegal para orientar e proteger Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Um relatório da PF indicou que Vorcaro enviou 52 mensagens para o magistrado até o momento em que foi preso. Moraes respondia com textos e imagens de visualização única. Há uma série de documentos que indicam como foi o contato entre o magistrado e o ex-dono Master, que está preso sob suspeita de corrupção. O STF analisaria em 15 de setembro de 2026 se o ministro deveria ser investigado, mas acabou salvando o ministro por até 90 dias .
A Polícia Federal fez um relatório sobre todas as relações de Moraes e de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, com Daniel Vorcaro. Só que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência (serviço secreto) da corporação, Leandro Almada, foram apontados como suspeitos de espionar magistrados do Supremo e chegaram a ser afastados por 1 dia de seus cargos.
A pauta do encontro de 3ª feira entre Moraes e os policiais federais não foi divulgada. A rigor, o encontro teve a participação de 2 agentes públicos (Andrei e Almada) que estão sob suspeita de terem cometido crimes com um ministro do STF igualmente suspeito de ter agido fora da lei. A Polícia Federal, em teoria, será responsável por fazer investigações suplementares caso o Supremo resolva investigar o que se passou.
Em 8 de setembro de 2026, o ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, sob suspeita de terem cometido um crime ao investigar ministros do STF sem autorização. Na ocasião, havia suspeitas de monitoramento ilegal e espionagem de ministros do STF pela PF.
No dia seguinte, em 9 de setembro de 2026, o ministro Flávio Dino mandou Andrei e Almada serem reintegrados à PF. Dino decidiu de forma heterodoxa nesse caso. Aceitou receber diretamente uma reclamação dos 2 policiais afastados, que deveriam ter peticionado o recurso para André Mendonça. É que Andrei e Almada argumentaram que estavam com investigações em andamento sobre o financiamento do filme “Dark Horse” , sobre Jair Bolsonaro. Disseram que, se ficassem fora dos cargos, a operação seria prejudicada. Como Dino havia aberto por conta própria uma investigação sobre esse filme, aceitou o pedido e anulou a decisão do dia anterior de Mendonça.
É incomum no Supremo um magistrado receber uma reclamação sobre o que um colega decidiu e anular os efeitos da decisão.
Na ocasião, o presidente do STF, Edson Fachin, preferiu não repreender nem anular a decisão de Flávio Dino. Adotou uma medida protelatória. Deu um prazo de 48 horas para que Andrei Rodrigues respondesse ao que estava sendo imputado a ele. Fachin também disse a colegas do Supremo que, assim que recebesse a resposta do policial, tomaria uma decisão –sobre mantê-lo ou não à frente da PF.
Andrei foi na campanha presidencial de 2022 guarda-costas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em abril de 2024, participou de um seminário em Londres patrocinado pelo Banco Master, com Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, indo também a um e vento de degustação de whisky Macallan e charutos. O diretor-geral da PF cumpriu o prazo dado por Fachin para se explicar . Negou ter cometido irregularidades que haviam sido apontadas por André Mendonça. O presidente do STF recebeu essa resposta em 11 de setembro e passou vários dias sem fazer nada. Só em 24 de setembro, sem explicar a razão da demora, Fachin resolveu despachar sobre o caso: pediu um parecer para a Procuradoria Geral da República. Até agora a PGR não se manifestou.
Em 2 de outubro de 2026, a 2 dias do 1º turno das eleições, Fachin enviou um ofício para a PF em que defendeu apurar “sem exceção de pessoa” eventual envolvimento de ministros da Corte no caso do Banco Master. O magistrado marcou uma audiência com Andrei Rodrigues para discutir o assunto em 13 de outubro. Nada mais foi dito sobre as suspeitas que pesam sobre o diretor-geral da PF, que segue atuando normalmente, embora André Mendonça tenha apontado indícios fortes de que o policial tenha cometido um crime. O caso está parado e Andrei e Almada continuam em seus cargos.
Fonte: Poder360
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