Mosquitos da dengue expandem alcance e chegam a novos territórios


Casos de transmissão local na Flórida evidenciam avanço da doença para áreas onde ela antes era pouco comum
--> copiar link --> A OMS contabilizou mais de 14 milhões de casos de dengue em 2024; na foto, o mosquito "Aedes aegypti" nuzee (via Pixabay) The Conversation 26.set.2026 (sábado) - 8h20 Priorize o Poder no Google O jornal norte-americano Tampa Bay Times recentemente noticiou a morte de uma idosa em 8 de setembro de 2026. A família dela afirma que os médicos locais atribuíram a morte à dengue , embora o Departamento de Saúde da Flórida ainda não tenha confirmado isso.
Essa morte provavelmente fez parte de um surto mais amplo de dengue no condado de Hillsborough, onde houve 95 casos documentados de dengue desde julho de 2026. Em agosto deste ano, o Departamento de Saúde do Condado de Hillsborough emitiu um alerta sobre doenças transmitidas por mosquitos devido a relatos de vários episódios.
Esse aglomerado de casos transmitidos localmente é uma forte lembrança de que uma doença que a maioria dos norte-americanos associa a férias em distantes países tropicais é cada vez mais contraída em casa.
A dengue é chamada nos EUA de “ febre quebra-ossos ”, e esse apelido é merecido. As pessoas que adoecem geralmente apresentam febre alta repentina, acompanhada de forte dor de cabeça, dor atrás dos olhos e dores profundas nos músculos, articulações e ossos. Muitas também sentem náuseas, vomitam ou apresentam erupções cutâneas em manchas alguns dias depois.
Como médico especialista em doenças infecciosas e medicina tropical que dirige uma clínica para viajantes, vejo com que facilidade a dengue passa despercebida tanto por pacientes quanto pelos médicos norte-americanos. Em regiões dos EUA onde a doença ainda é pouco comum, ela é facilmente confundida com uma gripe ou a covid-19, e esse atraso no diagnóstico pode ser perigoso.
A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa como um resfriado. Ela se espalha pela picada de mosquitos infectados, principalmente o Aedes aegypti , uma espécie comumente encontrada na Flórida. Esses mosquitos se desenvolvem em cidades com climas quentes e podem se reproduzir em quantidades mínimas de água parada, como em uma tampa de garrafa. E esses mosquitos picam durante o dia, não apenas ao anoitecer.
O ciclo é simples e difícil de interromper: um mosquito pica uma pessoa infectada e, dias depois, pica outra pessoa, transmitindo o vírus.
A dengue é especialmente traiçoeira porque a maioria das infecções não causa nenhum sintoma . Aproximadamente 3 em cada 4 pessoas que contraem o vírus nunca se sentem doentes. Para os 25% que apresentam sintomas, eles só aparecem de 4 a 10 dias após a picada.
Além disso, existem 4 cepas diferentes do vírus da dengue, e sobreviver a uma delas oferece proteção duradoura apenas contra essa linhagem específica. Uma 2ª infecção por um tipo diferente, na verdade, aumenta as chances de desenvolver uma forma grave da doença.
A maioria das pessoas sofre com a dengue por uma semana difícil e depois se recupera por conta própria. Mas cerca de 1 em cada 20 pacientes evolui para dengue grave , uma complicação com risco de vida que tende a ocorrer justamente quando a febre começa a baixar –geralmente entre o 3º e o 7º dia, quando os pacientes e suas famílias podem erroneamente supor que o pior já passou.
Na dengue grave, pequenos vasos sanguíneos por todo o corpo começam a vazar líquido, a pressão arterial pode despencar e podem ocorrer hemorragias perigosas ou danos aos órgãos. Sinais de alerta de que alguém está entrando nessa fase incluem dor abdominal intensa, vômitos repetidos, sangramento nas gengivas ou pelo nariz, sonolência extrema ou agitação, e sangue no vômito ou nas fezes.
Alguns grupos correm maior risco, incluindo bebês, mulheres grávidas, adultos com mais de 65 anos e pessoas com condições como diabetes , obesidade ou doença renal . Se não for tratada, a dengue grave pode causar a morte de até 10% dos pacientes. Com atendimento hospitalar imediato, esse número cai para menos de 1 em cada 100 –e é por isso que o diagnóstico precoce é tão importante.
Existe uma vacina contra a dengue, mas ela não é recomendada para o turista norte-americano comum. As vacinas disponíveis são usadas apenas em casos específicos, como crianças que moram em áreas de alta transmissão e já tiveram dengue uma vez. Portanto, a prevenção ainda depende principalmente de evitar picadas de mosquito.
Não há medicamento antiviral que cure a dengue. O tratamento consiste em ajudar o organismo enquanto ele combate o vírus. Para pessoas que se sentem bem o suficiente para ficar em casa, isso significa repouso, ingestão abundante de líquidos e paracetamol , comumente conhecido nos EUA pela marca Tylenol, para febre e dor.
Pacientes que possam ter dengue devem evitar aspirina, ibuprofeno e outros anti-inflamatórios não esteroides . Esses medicamentos aumentam o risco de sangramento, o que já é um perigo associado à dengue.
Pacientes que apresentarem sintomas mais graves precisam ser internados no hospital, onde os médicos administram fluidos intravenosos cuidadosamente dosados e monitoram de perto. Se a quantidade de fluidos for insuficiente, o paciente pode entrar em choque; se for excessiva, os pulmões podem inchar.
A dengue está em alta em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde contabilizou mais de 14 milhões de casos em 2024 , o pior ano já registrado, em cerca de 100 países. Isso representa um aumento de 2.600% em relação aos mais de 505 mil casos registrados em 2000.
Temperaturas mais altas, o rápido crescimento urbano e as viagens internacionais estão contribuindo para que os mosquitos –e o vírus– se espalhem por lugares onde nunca haviam sido um problema antes. O sul da Ásia, o Sudeste Asiático e a América Latina são as regiões mais afetadas, mas o problema está se espalhando para o norte.
A maioria dos casos de dengue nos EUA ainda é contraída no exterior. Os viajantes voltam para casa doentes. Só em 2023, os CDCs (Centros de Control
Fonte: Poder360
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