Norte investe menos em saneamento; impacto no desenvolvimento
Estudo do Trata Brasil revela disparidade regional nos aportes em infraestrutura hídrica e esgoto.
A Região Norte do Brasil destaca-se negativamente no cenário nacional de saneamento básico, sendo a que menos investiu no setor entre 2019 e 2023. Dados divulgados pelo Instituto Trata Brasil, com base no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SINISA), revelam uma disparidade alarmante que afeta diretamente a qualidade de vida de milhões de brasileiros.
Durante o período analisado, os estados nortistas destinaram aproximadamente R$ 8,6 bilhões para serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Este valor representa uma fatia ínfima do total investido no país, evidenciando um desafio crônico na infraestrutura da região, que já enfrenta complexidades geográficas e sociais.
Em contraste, o Sudeste liderou os investimentos, com um aporte significativo de R$ 38,6 bilhões no mesmo quinquênio. A Região Nordeste aparece em seguida, com R$ 22,2 bilhões, superando o Sul (R$ 17,9 bilhões) e o Centro-Oeste (R$ 10,7 bilhões). Essa distribuição desigual de recursos acentua as disparidades regionais no acesso a serviços básicos essenciais.
A carência de investimentos no Norte reflete-se na baixa cobertura de saneamento. Apenas 62,3% da população nortista possui acesso à água potável, e um ínfimo 15,2% conta com coleta de esgoto. Esses números estão muito aquém da média nacional e das metas de universalização estabelecidas pelo Novo Marco do Saneamento.
O impacto da deficiência em saneamento na Região Norte é multifacetado, abrangendo desde problemas de saúde pública, com a proliferação de doenças de veiculação hídrica, até entraves ao desenvolvimento econômico e social. A falta de acesso a água tratada e esgoto adequado compromete a dignidade humana e perpetua ciclos de pobreza nas comunidades mais vulneráveis.
Especialistas do setor alertam para a urgência de políticas públicas e investimentos direcionados que possam reverter esse quadro. A superação dos desafios infraestruturais no Norte é crucial para garantir que a região possa acompanhar o restante do país no acesso a serviços básicos e, consequentemente, impulsionar seu desenvolvimento sustentável.
Fonte: Oito Quatro Notícias
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