Novo Congresso dificulta reeleição de Alcolumbre e Motta


Presidentes da Câmara e do Senado chegam à eleição de 2027 com menos força política e mais rejeição; terão de negociar com bancadas mais à direita
Pres. Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre e da Câmara, deputado Hugo Motta, após almoço no Palácio da Alvorada, onde definiram a pauta de votação do Congresso Nacional antes do processo eleitoral Sérgio Lima/Poder360 - 26.ago.2026 Guilherme Waltenberg de Brasília 5.out.2026 (segunda-feira) - 1h13 Priorize o Poder no Google A eleição de 2026 deixou Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) diante de um Congresso diferente daquele que os levou às presidências da Câmara e do Senado em 2024.
Os 2 já se movem para continuar no comando das Casas em 2027. Mas chegam à disputa com uma dificuldade adicional: a nova composição do Congresso será mais à direita, justamente depois de os 2 terem se aproximado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas do pleito.
Para Motta, a eleição trouxe ainda uma derrota familiar e uma queda expressiva na própria votação. Para Alcolumbre, o revés foi territorial: seu grupo perdeu o governo do Amapá e não conseguiu eleger nenhum dos 2 nomes que disputavam vagas no Senado .
A partir de 2027, ambos terão de reconstruir pontes. E, para isso, terão de negociar com uma bancada de direita maior e mais desconfiada de suas relações com o governo.
Motta foi reeleito deputado pela Paraíba, mas perdeu votos. Passou de 158.171, em 2022, para 124.334 –queda de 21,4%.
O resultado ganha peso diante da aposta que fez na eleição do pai, Nabor Wanderley, para o Senado. Motta se aproximou de Lula e declarou apoio à reeleição do presidente. A expectativa era contar com o petista para fortalecer Nabor na disputa.
Não aconteceu. Nabor terminou em 3º lugar, com 20,91% dos votos, atrás de João Azevêdo (PSB) e Veneziano (MDB) –esse último apoiado por Lula.
Agora, terá de negociar para tentar permanecer no comando da Casa. Mas a equação ficou mais difícil: Motta perdeu votos, não elegeu o pai para o Senado e terá de convencer uma Câmara mais à direita de que ainda pode representar seus interesses.
Alcolumbre também chega enfraquecido à disputa pela reeleição no Senado. No Amapá, seu aliado, o governador Clécio Luís (União Brasil), foi derrotado por Dr. Furlan (PSD). O grupo do novo governador ainda elegeu Rayssa Furlan, sua mulher, para o Senado. A outra vaga ficou com Lucas Barreto –ambos são adversários de Alcolumbre.
Ele perdeu peso político. Chega à mesa de negociação menor do que há alguns meses.
A isso se soma que, no Senado, Alcolumbre já tem um adversário: Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
A eleição ampliou a bancada de direita, justamente o campo que passou a criticar Alcolumbre por sua aproximação com Lula e pelo apoio a pautas como o fim da escala 6 X 1 e o fim da chamada taxa das blusinhas. Houve ainda a hesitação em dar início a processos contra ministros do STF.
Com menos força no Amapá, Alcolumbre encontrará uma oposição maior e um adversário declarado. Terá de negociar com a direita sem romper a relação que manteve com o governo Lula.
Motta e Alcolumbre chegam a 2027 com problemas diferentes, mas diante do mesmo desafio: um Congresso mais à direita e o ônus de terem se aproximado demais de Lula e, no caso de Alcolumbre, do STF.
Os 2 ainda têm uma vantagem: ocupam as presidências das Casas e conhecem os caminhos da articulação política. Mas haverá menos margem de manobra. A relação com o Planalto, que ajudou a construir o poder de ambos, agora pode ser justamente uma das contas a pagar.
Fonte: Poder360
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