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Obras para conhecer a Nobel de Literatura Anne Carson

Redação Cerrado em Foco•
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Obras para conhecer a Nobel de Literatura Anne Carson
Obras para conhecer a Nobel de Literatura Anne Carson - imagem 2

Poder360 conversou com estudiosos e tradutores da obra da canadense, que mistura classicismo e frescor em produção multifacetada

Na imagem, ilustração de Anne Carson João Lucas Casanova de São Paulo 8.out.2026 (quinta-feira) - 18h59 Priorize o Poder no Google A escritora canadense Anne Carson, 76 anos, foi laureada nesta 5ª feira (8.out.2026) com o Nobel de Literatura de 2026 . Dona de uma obra multifacetada, Carson é, ao mesmo tempo, tradutora, poetisa, ensaísta e professora.

Responsável por dar novos contornos às tradições gregas e latinas, a canadense foi escolhida depois de figurar por anos na lista das favoritas ao prêmio. Sua obra utiliza desse aporte histórico e cultural para se debruçar sobre temas como luto e desejo.

Segundo a Academia Sueca, Carson foi reconhecida pelo “ diálogo lúdico ” com os clássicos e seu frescor formal na literatura contemporânea.

Para conhecer melhor a produção da autora, o Poder360 conversou com Julia Raiz, que traduziu obras de Anne Carson para o português brasileiro, e Rafael Zacca, professor do departamento de filosofia da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e pesquisador da canadense.

As obras da autora estabelecem um contato profundo –seja pelas traduções ou uso de referências– com os textos clássicos. Mas isso não significa que sua produção esteja fechada no olhar ao passado. “ Qualquer pessoa pode se relacionar ”, afirma Julia.

A tradutora conta que se interessou por Carson pelas “ torções ” que ela faz na tradição. “ Como professora, como uma apaixonada do grego antigo, ela quer aproximar esses textos pelo apaixonamento, quer que as pessoas se interessem pela radicalidade desses textos ”, declarou.

Zacca partilha de uma opinião semelhante. Ele afirma que Carson é uma erudita que perverte seus objetos de estudo, convocando o interesse do leitor justamente pela jovialidade com que ela escreve.

Para Julia, ler a autora exige que se tenha “ uma relação um pouco dilatada com o tempo, de ficar mais no texto ”, um pouco como acontece quando se está apaixonando por alguém.

A tradutora diz que é preciso dar espaço para se relacionar com “ as complexidades, manias e detalhes dela ”.

“ Para ler Carson, seja pela 1ª, décima ou centésima vez, tem que ter essa abertura à confusão, à perturbação ”, declarou.

A autora tem uma obra extensa. Sua publicação em português brasileiro começou em 2017. Eis os livros publicados no país:

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Não existe um caminho exato de início, mas tanto Julia quanto Zacca afirmaram que “ Autobiografia do vermelho ”, originalmente publicado em 1998, é uma boa pedida. A obra traz uma nova perspectiva ao mito grego de Gerião. É, como diz o subtítulo, um romance em versos.

“[O livro] vai fazer alusão a personagens que, se a gente não estuda ou não tem o costume de ler os clássicos, a gente não sabe quem sã o”, afirma o professor. “ Uma vez vencida essa barreira, os livros dela funcionam mesmo que você não tenha essas referências. Eles não parecem depender muito delas ”.

O livro nasceu da tese de doutorado de Carson. É, a grosso modo, um livro sobre teoria literária. Reúne um amplo compilado de leituras sobre amor, da Grécia clássica à modernidade. Mas não só.

“ Nas primeiras páginas, o leitor pode se assustar, porque pode ver uma citação ali, uma palavra em grego. Mas, em seguida, aquilo que ela está escrevendo parece ser sobre uma experiência meio universal, que é a questão do desejo. E ela o faz de uma maneira acessível ”, afirma Zacca.

Tradução (e reinvenção) de Anne Carson da tragédia seminal “Antígona”, de Sófocles, a existência do livro é curiosa por si só: autor original e tradutor ocupam lugares equivalentes de importância na capa.

Traduzido por Julia Raiz para o português, a obra dá ênfase às seleções feitas por quem a traduz.

Julia conta que o desafio de traduzir foi conseguir mostrar, ao público que lê em português brasileiro, como a obra consiste numa tradução de Anne Carson “ materializada no texto ”.

Para ela, “ Antigonick é uma ótima oportunidade para a gente conversar sobre tradução, sobre as escolhas ‘tradutórias’, que são políticas e poéticas ”.

Ainda sem publicação no Brasil, Zacca sugeriu ainda a obra “Nox”, cuja edição original é em formato de “ caixa ”. Aborda o luto, vivido pela autora depois da morte do irmão, mas também o processo de criação, já que aborda o trabalho de tradução que Carson fazia de um poema latino de Catulo.

O professor afirma que a obra representa um aspecto essencial da produção da canadense: a preocupação em não virar os olhos para as coisas que estão se perdendo –como é feito quando Carson cria a partir de um fragmento clássico e, por vezes, perdido no tempo.

“ É nessa falta de sentido do passado, que entra toda a possibilidade de criação e exercício também do desejo em relação a ele ”, declarou.

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Fonte: Poder360

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