Parar de fumar pode reduzir risco de demência, indica estudo


Pesquisa com mais de 32 mil pessoas identificou risco 16% menor entre ex-fumantes; ganho pode depender também do controle do peso
Estudo acompanhou mais de 32 mil adultos por até 25 anos e associou a interrupção do tabagismo a um risco 16% menor de desenvolver demência analogicus (via Pixabay) Agência Einstein 12.out.2026 (segunda-feira) - 8h15 Priorize o Poder no Google Os benefícios de abandonar o cigarro já são amplamente conhecidos para a saúde cardiovascular e respiratória. Agora, um estudo sugere que parar de fumar também pode ajudar a proteger o cérebro durante o envelhecimento. A pesquisa acompanhou mais de 32 mil adultos nos Estados Unidos por até 25 anos e identificou que pessoas que pararam de fumar tiveram risco 16% menor de desenvolver demência em comparação com aquelas que continuaram fumando.
Os resultados foram publicados em maio na revista Neurology . Durante o acompanhamento, os pesquisadores registraram 5.868 casos de demência. A cada 2 anos, os participantes eram classificados como fumantes, ex-fumantes ou pessoas que nunca haviam fumado. Além de avaliar a ocorrência de demência, os cientistas observaram que abandonar o cigarro também esteve associado a um declínio cognitivo mais lento ao longo do tempo.
O resultado reforça uma relação já bem estabelecida pela ciência: o tabagismo é um importante fator de risco para doenças neurodegenerativas. “O tabagismo aumenta em cerca de 30% a 40% o risco de desenvolver tanto doença de Alzheimer quanto demência vascular, que são as 2 formas mais comuns de demência no Brasil e no mundo” , disse a neurologista Jerusa Smid, do Einstein Hospital Israelita.
Entre os mecanismos que podem explicar essa relação está o dano aos vasos sanguíneos. “O cigarro provoca lesão e disfunção vascular, aumentando o risco de acidente vascular cerebral. E sabemos que o AVC pode levar à demência” , explicou Smid. Além disso, o tabagismo favorece o estresse oxidativo, que compromete mecanismos naturais de neuroproteção. Alterações vasculares também podem contribuir para o acúmulo de proteínas anormais relacionadas a doenças degenerativas, como o Alzheimer.
Embora estudos anteriores já tenham identificado os prejuízos do cigarro para a saúde cerebral, os benefícios de parar de fumar sobre o risco de demência ainda não são totalmente esclarecidos. “Os dados existentes sobre a redução de risco depois de parar de fumar eram inconsistentes. Esse estudo traz uma informação robusta em relação a essa questão” , disse a neurologista.
Os resultados mostram ainda que o risco de demência diminui progressivamente com o passar dos anos sem fumar e se aproxima daquele observado em pessoas que nunca tiveram o hábito depois de cerca de 7 anos de abstinência. Apesar disso, por se tratar de um estudo observacional, não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito nem explicar exatamente os mecanismos por trás desse fenômeno.
Outro resultado que chamou a atenção dos pesquisadores é que os benefícios cognitivos foram observados principalmente entre os ex-fumantes que ganharam pouco ou nenhum peso depois de abandonar o cigarro. Participantes que engordaram mais de 10 kg nos 2 anos seguintes à interrupção do tabagismo não tiveram a mesma redução no risco de demência.
Em 2024, uma comissão internacional publicada na revista The Lancet identificou 14 fatores potencialmente modificáveis associados ao risco de demência ao longo da vida. Entre eles estão obesidade, sedentarismo, colesterol elevado, hipertensão arterial, diabetes, tabagismo e consumo excessivo de álcool. Segundo a publicação, cerca de 45% dos casos de demência no mundo poderiam ser prevenidos ou adiados com o controle desses fatores ao longo da vida. “Muitos desses fatores estão relacionados ao aumento do risco cerebrovascular e às alterações metabólicas” , explicou Smid.
A prevenção, porém, vai além da saúde cardiovascular. Manter uma vida social ativa, corrigir déficits auditivos e visuais, tratar quadros de depressão, evitar traumatismos cranianos e reduzir a exposição à poluição também fazem parte das estratégias de proteção cerebral. Outros hábitos importantes incluem cuidar da qualidade do sono, manter uma alimentação saudável e buscar novos aprendizados ao longo da vida.
“Não sabemos quanto a interrupção do tabagismo influencia isoladamente, mas imaginamos que com isso seja necessário um programa de controle de peso, atividade física e acompanhamento da saúde cardiovascular, incluindo hipertensão, diabetes e colesterol” , disse Jerusa Smid. Também é preciso combater a ideia de que abandonar o cigarro em idades mais avançadas não vale a pena. “O maior benefício ocorre quando a cessação acontece antes dos 40 anos, mas há ganhos importantes em qualquer fase da vida, inclusive entre pessoas acima dos 65 ou 75 anos” , disse a neurologista.
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Einstein , em 4 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.
Fonte: Poder360
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