Pesquisa desvenda segredos evolutivos das abelhas no Brasil
Estudo inovador da USP em Ribeirão Preto utiliza “fenômica” para redefinir o parentesco entre espécies, revelando uma linhagem antiga que viveu há 80 milhões de anos.

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto estão reescrevendo a história evolutiva das abelhas por meio de uma nova ferramenta: a fenômica. Diferente da genética tradicional, que se concentra no DNA, a fenômica investiga milhares de características anatômicas para desvendar as complexas relações de parentesco entre as espécies, desde as mais antigas até as contemporâneas.
Publicado na revista científica *Current Biology*, o estudo analisou um vasto conjunto de dados morfológicos, incluindo abelhas atuais e fósseis. Essa análise detalhada permitiu aos pesquisadores construir árvores genealógicas que revelam como diferentes grupos de abelhas se diversificaram ao longo de milhões de anos. O objetivo é fornecer uma imagem mais nítida da evolução em comparação com as limitações dos estudos puramente genéticos para espécies tão antigas.
Entre as descobertas mais significativas está a identificação de uma linhagem de abelhas antigas, batizada como 'Abelhas do Cretáceo', que remonta a mais de 80 milhões de anos. Essa descoberta é crucial, pois essa linhagem antecede o surgimento de algumas famílias de abelhas que conhecemos hoje, redefinindo o ponto de partida de certos ramos evolutivos.
A pesquisa é um marco no campo da biologia evolutiva, demonstrando como a combinação de diferentes abordagens — moleculares e morfológicas — pode oferecer insights mais profundos. A fenômica se mostra particularmente eficaz para estudar grupos muito antigos, onde o material genético pode ser escasso ou degradado, como é o caso de muitos fósseis.
Os resultados obtidos sugerem que a evolução das abelhas é mais intrincada do que se pensava, com ramificações e origens que desafiam algumas das classificações existentes. A reavaliação dessas relações filogenéticas tem implicações importantes para a taxonomia e para a compreensão da biodiversidade desses insetos polinizadores vitais para o ecossistema.
O trabalho da equipe da USP não apenas avança o conhecimento científico sobre a origem e diversificação das abelhas, mas também reforça a importância da pesquisa brasileira na vanguarda da ciência global. A compreensão da trajetória evolutiva das abelhas é fundamental para a conservação dessas espécies, que enfrentam ameaças crescentes em um cenário de mudanças climáticas e perda de habitat.
Este estudo é um exemplo de como a inovação metodológica pode abrir novas avenidas para o entendimento da vida na Terra. Ao combinar a análise de características físicas com o conhecimento genético, os cientistas estão construindo um panorama mais completo e preciso da rica história evolutiva das abelhas, cujas vidas estão intrinsecamente ligadas à saúde de nossos ecossistemas.
Fonte: Poder360
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