Pós-segundo turno: prorrogação da votação, suposta interferência dos EUA e alegações de fraude - o que se sabe até agora
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos; três temas seguem em debate após o segundo turno.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamou no domingo (25) a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 2026, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Mesmo com o resultado oficial, três temas seguem gerando debate: a prorrogação do horário de votação, a suposta interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral e as alegações de fraude que circulam nas redes sociais. Veja o que se sabe até agora sobre cada um deles.
Prorrogação do horário de votação
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou a votação até as 19h, no horário de Brasília, nas seções que ainda estavam abertas, após denúncias de dificuldades no transporte público de eleitores em vários estados. Com a decisão, o TSE interrompeu temporariamente a divulgação dos resultados, que estava em 0,25% das urnas apuradas, e retomou a totalização após o fim do prazo adicional.
Flávio Bolsonaro contestou a medida e anunciou que pedirá a anulação do segundo turno. A campanha do próprio PL, no entanto, também havia pedido ao TSE a ampliação do horário em municípios de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, alegando chuvas, alagamentos, falta de energia e interdições de vias. Até o momento, não há decisão judicial que considere a prorrogação suficiente para anular a eleição, e caberá à Justiça Eleitoral avaliar os argumentos caso a ação seja protocolada.
Possível interferência dos Estados Unidos
A Polícia Federal abriu uma apuração preliminar sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições, após representação da Advocacia-Geral da União (AGU) baseada em reportagem do jornal britânico The Guardian. Segundo a reportagem, o Departamento de Estado americano teria desviado cerca de 1 milhão de dólares de um fundo de direitos humanos para um programa no Brasil.
Em 7 de outubro, a Polícia Federal arquivou a apuração preliminar por falta de elementos mínimos que justificassem a abertura de um inquérito. Até agora, não há conclusão oficial de que tenha havido interferência capaz de alterar o resultado da eleição.
Alegações de fraude nas eleições
Nas redes sociais, circulam acusações de fraude e de crescimento sem explicação da votação de Lula. Até o momento, porém, não foram apresentadas provas públicas que confirmem essas alegações. O TSE afirma que não há evidências de fraude na apuração dos votos.
Após a proclamação do resultado, Flávio Bolsonaro afirmou que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre do TSE durante a apuração. O tribunal desmentiu a afirmação, esclareceu que o espaço não é aberto a visitação e apresentou registros que comprovam o acesso dos representantes do PL às áreas destinadas à fiscalização.
O TSE também já havia explicado que a pausa na divulgação dos resultados no primeiro turno foi causada por uma contenção no processamento de dados e atingiu apenas a visualização nacional na internet, sem afetar a apuração nem a totalização dos votos.
O que vem a seguir
O resultado do segundo turno está proclamado, e os questionamentos anunciados pela oposição seguirão para avaliação da Justiça Eleitoral, que vai analisar argumentos e provas caso as ações sejam protocoladas. O Cerrado em Foco segue acompanhando os desdobramentos.
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