Presídio Federal do DF: Relatório Revela Evangelização Compulsória
Inspeção em penitenciária de segurança máxima aponta difusão indiscriminada de conteúdo religioso por rádio interna, levantando preocupações sobre direitos humanos.

Uma inspeção realizada pelo Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) no Presídio Federal de Brasília trouxe à tona preocupações sérias sobre a liberdade religiosa dos detentos. O relatório aponta que a unidade prisional tem transmitido, de forma indiscriminada e contínua, conteúdos religiosos por meio de sua rádio interna, o que configura uma prática de evangelização compulsória.
A equipe do MNPCT, em sua visita à penitenciária de segurança máxima, constatou que os presos eram expostos a programações exclusivamente religiosas. Essa modalidade de comunicação interna não oferece alternativas de entretenimento, informação ou educação secular, restringindo o direito dos internos de escolherem a que tipo de conteúdo desejam ter acesso.
A imposição de doutrinas religiosas, sem a possibilidade de seleção por parte dos encarcerados, viola princípios fundamentais como a liberdade de crença e a não discriminação, garantidos pela Constituição Federal e por tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário. Tais práticas podem ser interpretadas como uma forma de coerção ou assédio moral e espiritual.
O documento destaca que, embora o acesso à religião seja um direito dos detentos, ele deve ser exercido de forma voluntária e respeitar a pluralidade de crenças. A difusão unilateral e massiva de um único tipo de conteúdo religioso pela rádio interna suprime essa voluntariedade e desrespeita a autonomia individual.
Representantes do MNPCT enfatizaram a necessidade de as instituições prisionais garantirem um ambiente que promova a ressocialização e o respeito aos direitos humanos, sem que haja qualquer tipo de proselitismo religioso imposto. A recomendação é que a programação da rádio interna seja diversificada, oferecendo opções que contemplem diferentes interesses e crenças.
As conclusões do relatório serão encaminhadas às autoridades competentes, incluindo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, para que medidas corretivas sejam implementadas. O objetivo é assegurar que o ambiente carcerário seja neutro em termos religiosos e que os direitos dos presos sejam plenamente respeitados.
Fonte: Metrópoles - DF
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