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Procurador boliviano que investigava ex-assessor de Milei é preso

Redação Cerrado em Foco••2 visualizações
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Procurador boliviano que investigava ex-assessor de Milei é preso
Procurador boliviano que investigava ex-assessor de Milei é preso - imagem 2

Procurador-geral da República da Bolívia, Roger Mariaca atuava no caso de Fernando Cerimedo, marketeiro argentino ligado a Javier Milei e Rodrigo Paz

--> copiar link --> O marketeiro Fernando Cerimedo (foto) foi preso na Bolívia em agosto, suspeito de tentar matar Nadia Beller, sua ex-companheira; Roger Mariaca atuava na investigação contra o argentino Reprodução/Instagram/@cerimedofernando Agência Brasil 1.out.2026 (quinta-feira) - 18h41 Priorize o Poder no Google Autoridades bolivianas prenderam, na noite de 4ª feira (30.set.2026), o procurador-geral da República do país, Roger Mariaca. Ele atuava em investigação contra o operador digital argentino Fernando Cerimedo, que é suspeito de tentativa de feminicídio, enriquecimento ilícito e tráfico de drogas.

Ex-assessor dos presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão, centro-direita), e da Argentina, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), Cerimedo é ligado a grupos de direita na América Latina apoiados por Donald Trump (Partido Republicano). Ele também é próximo da família Bolsonaro e ficou conhecido no Brasil em 2022, quando participou da campanha para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.

Além do chefe do Ministério Público da Bolívia, a polícia prendeu, até a manhã desta 5ª feira (1º.out), outras 13 autoridades do país sob acusações tráfico de drogas e organização criminosa, incluindo o ex-ministro do governo anterior, Eduardo Del Castillo , e o procurador do departamento de Santa Cruz, Alberto Zeballos .

Zeballos e Mariaca estavam na lista de bolivianos que tiveram os vistos para entrada nos Estados Unidos revogados pela administração de Trump , na última 2ª feira (28.set). Ambos foram acusados por Washington de corrupção ou narcotráfico, sem que fossem apresentadas provas.

Depois das prisões, uma transmissão online ao vivo pelas redes sociais do Ministério Público boliviano denunciou o “sequestro” de Mariaca e Zeballos sem mandado judicial.

“O procurador-geral do Estado foi retido no Aeroporto de Viru Viru de maneira informal, sem qualquer documento ou ordem de prisão que pudesse esclarecer a razão dessas ações policiais ilegais que vêm ocorrendo em nosso país” , informou uma servidora não identificada em meio a policiais mascados.

O ministro do governo boliviano de Rodrigo Paz, Marco Antonio Oviedo, acusou o procurador-geral Roger Mariaca de liderar uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas.

“Foi desmantelada uma organização criminosa infiltrada no sistema de Justiça e na administração de uma instituição muito importante do nosso país — o Ministério Público —, a qual, sob a liderança de Roger Mariaca, transformou-se em uma organização criminosa voltada a proteger e incentivar o narcoterrorismo no país” , informou.

O ministro ainda divulgou imagens de policiais retirando diversos pacotes com dinheiro de um fundo falso de um veículo apontado como tendo relação com a residência de Mariaca. Oviedo ainda vinculou o grupo aos protestos que paralisaram a Bolívia por mais de 50 dias de maio a junho deste ano que pediam a renúncia de Paz.

O procurador Roger Mariaca foi eleito pelo parlamento boliviano, em 2024, durante o governo de esquerda de Luis Arce (Movimento ao Socialismo, esquerda). Ele deveria cumprir um mandato de 6 anos. Após as acusações do governo Trump contra ele, o Congresso da Bolívia convocou uma sessão para 2ª feira (5.out) para discutir a situação do Ministério Público.

Depois de ter o visto cancelado pelos EUA, o então procurador-geral Roger Mariaca sugeriu que a medida era uma retaliação pelas investigações que conduz, em especial, do caso Cerimedo.

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“Sabemos também que algumas investigações têm implicações que transcendem as fronteiras nacionais. O caso denominado Cerimedo, por exemplo, gerou preocupações e repercussões em diferentes âmbitos políticos” , afirmou o procurador agora preso.

A defesa de Cerimedo nega as acusações alegando que o cliente é vítima de uma armação política.

O operador digital de lideranças latino-americanas foi apontado pela revista inglesa The Economist como “o homem do Maga na América Latina” , em alusão ao slogan político do presidente Donald Trump, Make America Great Again (Faça a América Grande de Novo).

Especialista em política dos EUA para América Latina, a professora em relações internacionais Camila Vidal, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), destacou à Agência Brasil que a ação contra as autoridades bolivianas, com o apoio do governo dos EUA, teve objetivo político.

“De modo geral, o combate às drogas por parte dos EUA na América Latina é e sempre foi político. Você ter a retirada de visto de um procurador que, coincidentemente, estava justamente analisando toda a rede da extrema-direita na região nos indica muito sobre a dimensão política desse tipo de ação dos EUA” , disse.

Ela acrescentou que o interesse dos EUA nunca foi de combater o narcotráfico na região.

“Os EUA hoje vivem uma epidemia absurda de opioides que, até pouco tempo atrás, foi mais promovida por empresas farmacêuticas estadunidenses. Portanto, o objetivo não é combater o tráfico, é desestabilizar forças contrárias aos interesses econômicos, simbólicos e estratégicos dos EUA na América Latina” , acrescentou Vidal.

O especialista em política boliviana, professor Salvador Schavelzon, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), ponderou que não tem elementos para avaliar a legalidade da operação boliviana, ou dos supostos indícios contra Mariaca. Entretanto, lembra que o narcotráfico no país estaria infiltrado em diversas instituições.

“O Poder, ao mesmo tempo, está conectado com o narcotráfico e joga na tentativa de se mostrar na luta contra o mesmo. Isso é uma constante desde a década de 1970 em áreas como o Poder Judiciário, alfândega, poder político e poder policial. O narcotráfico percorre a sociedade com todos os setores” , comentou Schavelzon.

Ao anunciar a restrição aos vistos de autoridades da Bolívia, Peru, Equador e Colômbia, o governo

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Fonte: Poder360

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