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Recorde de eleitores com deficiência amplia desafio da acessibilidade

Redação Cerrado em Foco•
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Recorde de eleitores com deficiência amplia desafio da acessibilidade
Recorde de eleitores com deficiência amplia desafio da acessibilidade - imagem 2

Justiça Eleitoral expandiu a infraestrutura física, elevando a oferta de seções eleitorais com acessibilidade

Em 2026, foram 1.970.165 eleitores com deficiência aptos a votar, 42% a mais que em 2022 Fernando Frazão/Agência Brasil – 4.out.2026 Agência Senado 18.out.2026 (domingo) - 4h10 Priorize o Poder no Google As eleições de 2026 tiveram o maior número já registrado de eleitores com deficiência. Foram 1.970.165 pessoas aptas a votar, 42% a mais que em 2022. Como proporção do eleitorado total, o eleitorado com deficiência subiu de 0,1% para 1,24% desde 2010, quando o Tribunal Superior Eleitoral começou a reunir esse dado –um aumento em mais de 10 vezes da representação dessa população nas urnas.

O crescimento se dá em um cenário de ampliação das medidas de acessibilidade, como o aumento do número de seções acessíveis. A Justiça Eleitoral expandiu a infraestrutura física, elevando a oferta de seções eleitorais com acessibilidade de 156.296 em 2022 para 220.577 em 2026. O número fica abaixo da metade do total de seções em território nacional, que passa de 517 mil, mas cresceu em proporção: eram 31,6% das seções em 2022, e agora são 42,6%.

O acolhimento também avançou com novos recursos nas urnas eletrônicas e a criação de um programa de transporte gratuito para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. No 1º turno, essas medidas foram colocadas em prática em todo o país e também passaram a ser avaliadas a partir da experiência dos próprios eleitores.

O balanço da votação permite identificar avanços, mas também aponta para a necessidade de acompanhar como os recursos funcionam na prática e quais barreiras ainda precisam ser enfrentadas para garantir a participação das pessoas com deficiência de forma autônoma e em igualdade de condições nas próximas eleições.

O aumento do número de seções acessíveis acompanha a expansão do eleitorado com deficiência, mas o sentido final é garantir que a acessibilidade esteja presente em todos os locais de votação e em todas as etapas do processo eleitoral. A avaliação é do advogado Joelson Dias. Ele foi ministro-substituto do TSE e presidiu a Comissão Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

Segundo Dias, as barreiras não estão restritas à urna eletrônica ou ao espaço da seção eleitoral. Elas podem aparecer de várias formas, tanto físicas –representadas pelo local de votação e pelo deslocamento até lá– quanto relacionadas ao acesso à informação e à comunicação durante o período eleitoral.

“O que nós queremos mesmo são todas as sessões com acessibilidade. Depois, ter certeza de que as barreiras serão removidas de todo o processo eleitoral, antes, durante e depois da campanha. Que também sejam removidas essas barreiras não somente na urna eletrônica, no local de votação, mas no entorno, desde que a pessoa saia da sua casa para votar até a sua efetiva manifestação” , disse.

O desafio, portanto, não se limita à ampliação da estrutura física ou à oferta de recursos assistivos. Embora o número de seções principais com acessibilidade tenha crescido, o próprio TSE ressalta que as condições dos imóveis utilizados como locais de votação podem mudar ao longo do tempo, o que exige vistorias e atualização periódica das informações sobre acessibilidade.

O 1º turno também serviu para colocar à prova o programa Seu Voto Importa, que ofereceu transporte gratuito a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que não tinham meios próprios para chegar aos locais de votação. No balanço divulgado pelo TSE no dia da votação, mais de 2.000 eleitores com mobilidade reduzida haviam sido transportados pelos veículos do programa.

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A experiência de Alessandra Pereira dos Santos mostra como o deslocamento pode interferir na participação eleitoral. Estudante de Jornalismo e cadeirante, ela vota no Paranoá, cidade-satélite na periferia de Brasília (DF). Segundo ela, a distância e as dificuldades de transporte, que já são batalhas do dia-a-dia, podem se tornar obstáculos ainda maiores em um dia de eleição.

“Na penúltima eleição eu votei pela 1ª vez, e uma pessoa teve que votar por mim. Minha mãe é a pessoa que me auxilia. Nós vamos até a cabine de votação, eu fico do lado dela e ela vai apertando os botões. Essa é uma situação que eu vejo que a Justiça Eleitoral tem tentado trabalhar” , disseAlessandra.

“Já em pontos positivos, a Justiça Eleitoral acertou muito com o programa Seu Voto Importa, porque traz inclusão social. A maioria das pessoas com deficiência mora longe do seu local de votação, e o deslocamento já é difícil em dias normais. Com a sociedade toda se deslocando ao mesmo tempo para ir às urnas, fica mais complicado. Então, esse acesso fácil traz uma tranquilidade, é menos estressante, porque o programa busca justamente romper as barreiras físicas” , declarou.

“Eu, como uma pessoa com deficiência, quero ter também o meu direito de votar por conta própria. Nós precisamos ter participação ativa em todos os lugares” , afirmou.

Além das barreiras físicas, Joelson Dias chama atenção para dificuldades de comunicação e acesso à informação, inclusive nos meios digitais. Segundo ele, os conteúdos divulgados por instituições e partidos políticos precisam considerar recursos de acessibilidade para que eleitores e candidatos com deficiência tenham acesso às informações do processo eleitoral.

Outra adversidade está relacionado às chamadas “barreiras atitudinais”: o preconceito, a falta de paciência e a falta de conhecimento que podem prejudicar o atendimento ao eleitor por parte dos funcionários da Justiça Eleitoral.

“Após o 1º turno, o que mais eu ouvi de reclamação de algumas pessoas com deficiência foi [sobre] a capacitação e o treinamento dos mesários. Será necessário ver de que maneira isso pode melhorar” , declarou

Para Dias, as experiências dos próprios eleitores devem ser consideradas na avaliação das medidas de acessibilidade. O eleitor que encontrar uma dificuldade durante a votação pode pedir q

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Fonte: Poder360

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