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Reformas substituem pedras portuguesas icônicas por concreto em Ceilândia

Redação Cerrado em Foco••Ceilândia•1 visualizações
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Reformas substituem pedras portuguesas icônicas por concreto em Ceilândia
Reformas substituem pedras portuguesas icônicas por concreto em Ceilândia - imagem 2

LUIS NOVA / METRÓPOLES @LuisGustavoNova Presentes no Centro de Ceilândia há mais de uma década, as pedras portuguesas que ornavam os calçadões da região administrativa foram substituídas por concreto. Nesta quarta-feira (16/9), a Novacap afirmou que concluiu 99% do serviço de pavimentação da avenida Hélio Prates e o 1% restante está previsto para ser finalizado no final deste mês. O trabalho de recuperação, iniciado em 1º de junho, consumiu R$ 2 milhões dos cofres públicos e foi realizado a pedido da Administração Regional de Ceilândia, segundo a Novacap.

O problema, no entanto, é que o serviço não levou em conta aspectos técnicos sobre a região que — por ser uma área em declive — não pode receber a concretagem sem antes um projeto que considere o escoamento da água da chuva, conforme apontou o coordenador adjunto da Comissão de Política Urbana e Ambiental do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do DF (CAU/DF), Antonio Menezes Junior.

“A solução adotada é muito prejudicial. Não há justificativa para impermeabilizar o canteiro central da forma que foi feita. A solução impacta a drenagem, porque vai aumentar o fluxo e a velocidade da água”, afirmou.

Sol Nascente e Ceilândia Norte são as cidades que mais devem sofrer com a mudança no escoamento da água que vem do Centro. As duas regiões acumulam um longo histórico de alagamentos e estragos provocados pelos temporais.

Além das chuvas, a pavimentação de todo o canteiro central da Hélio Prates, junto à falta de arborização, favorece para o aumento da temperatura sentida pelos moradores locais.

A concretagem também ignorou aspectos históricos de Ceilândia — já que, há mais de uma década, as pedras fazem parte da rotina dos moradores. Antonio Menezes explicou que a escolha da administração exclui o bem estar da população e afasta o verdadeiro significado do Centro que, na teoria, deveria ser um lugar de convivência.

“A obra vai na contramão, contraria as principais recomendações para um ambiente humano, qualificado para a necessidade humana das pessoas. Ali, não se cria espaços de convivência. É uma obra com vários equívocos. A Novacap e administração não podem criar, sem projeto, soluções inadequadas, que não trazem benefícios para a saúde da população”, defendeu Antonio Menezes.

O Metrópoles esteve no local e registrou a área vazia, tomada apenas pelo sol e cimento. Nem sinal dos jogadores de dominó, que costumavam permanecer diariamente no Centro da cidade. O grupo estava afastado, se abrigando embaixo da única árvore que proporcionava sombra.

“Não se vê uma intenção de constituir um espaço qualificado no bem estar da população. Ali é um espaço largo, a Avenida Hélio Prates é um lugar de permanência da população. As áreas urbanas precisam ser sombreadas e vem o GDF e implanta uma longa superfície de concretagem. É lastimável”, disse Antonio Menezes.

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Desde 2024, o programa Renova-DF, de responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet), faz manutenções das pedras ao longo de toda avenida. O arquiteto da CAU explicou que o conserto é um trabalho simples e que poderia ser feito, inclusive, por trabalhadores da própria administração. Em contrapartida, a reforma do concreto exige todo um maquinário qualificado.

“A manutenção das pedras podem ser feitas pelo trabalhadores da administração. Retirar e colocar de volta. Isso é feito de uma maneira manual. A manutenção do concreto exige um novo contrato de prestação de serviço. Dependendo do tipo de dano no concreto, fica mais caro do que, de fato, a pedra portuguesa”, afirmou.

Imagens satélites registradas desde 2011 pelo Google Maps mostram como era o Centro de Ceilândia. A pavimentação da área retira o o prazer de quem passou uma vida caminhando em cima das pedras portuguesas. É o caso de Lucas Ladeira, que mora em Ceilândia há 32 anos. Ele lamentou a atitude do governo, que não realizou sequer um levantamento para saber o que os moradores pensavam sobre a decisão.

“Era bonito. Era uma imagem de Ceilândia que fazia parte do imaginário coletivo. Quando você pensava em Ceilândia, você já pensava nessas calçadas, no Centro. Não fizeram nenhum tipo de consulta, só concretaram e é, de longe, a pior das alternativas”, declarou.

Lucas contoa que levou um susto quando chegou ao Centro de Ceilândia e se deparou com os caminhões da Novacap retirando as pedras. “Essa obra mostra o descaso que o poder público tem com as populações das periferias, com a população da Ceilândia. No Plano Piloto, eles conservam. Não pode tirar, é patrimônio. E aqui não importa. Eles não se importam”.

Antônio de Pádua, coordenador do Jovem de Expressão, projeto localizado na região, também questionou a falta de consulta pública do GDF ao realizar a reforma. “É um apagamento histórico. É algo que, inclusive, o pessoal dava uma manutenção periodicamente. Teve recentemente uma mão de obra do Renova DF fazendo essa troca. E de repente, do nada, eles, sem consulta pública, sem perguntar nada para ninguém, vão lá, passam o trator e passam o cimento”.

O Metrópoles fez diversas tentativas de contato com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda e com a Administração da Ceilândia, mas não obteve retorno das pastas até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para possíveis manifestações.

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Fonte: Metrópoles - DF

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