Publicidade
Publicidade
Obras

Resistência a novos CAPS no DF é impulsionada por desinformação e estigma

Cinco Centros de Atenção Psicossocial enfrentam protestos de moradores, apesar da baixa cobertura no Distrito Federal.

Redação Cerrado em Foco•
Compartilhar:
Resistência a novos CAPS no DF é impulsionada por desinformação e estigma
Resistência a novos CAPS no DF é impulsionada por desinformação e estigma - imagem 2

Cinco novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) estão previstos para serem implementados no Distrito Federal até 2027, mas a construção desses espaços tem encontrado resistência significativa por parte dos moradores das regiões afetadas. Os protestos são semelhantes em Taguatinga, Ceilândia, Guará, Gama e Recanto das Emas, com argumentos que incluem preferência por espaços de lazer, impactos ambientais e preocupações com segurança.

Até o momento, apenas o CAPS do Gama, inaugurado em julho, está em funcionamento. A subsecretária de Saúde Mental do DF, Fernanda Falcomer, explica que, embora as mobilizações contra a instalação de CAPS não sejam novas, elas ganharam volume nos últimos meses. Segundo ela, memes com frases como "Doidinho do Caps" e "dia mais fraco no Caps" contribuem para a desinformação e estigmatizam tanto os centros quanto as pessoas em busca de tratamento. Dados do Google Trends mostram um aumento nas menções ao sistema em 2024.

O modelo de assistência em saúde mental do Sistema Único de Saúde (SUS) preconiza que os CAPS sejam construídos dentro dos bairros, inclusive aqueles que funcionam 24 horas. Isso visa a reabilitar o paciente para a vida em comunidade. Fernanda Falcomer enfatiza que os terrenos utilizados para os CAPS já possuíam previsão para equipamentos públicos e que as construções seguem a legislação.

Entretanto, o professor de arquitetura e urbanismo da UnB, Frederico Flósculo, critica a falta de participação popular e a lógica de planejamento territorial do DF, que, segundo ele, prioriza a especulação imobiliária. Flósculo aponta a necessidade de audiências públicas e questiona a arquitetura atual dos CAPS, com muros que “enclausuram” as políticas de saúde mental. Ele sugere projetos arquitetônicos que promovam a integração com a comunidade, por meio de espaços de convívio, hortas e áreas de lazer, para evitar que os centros sejam vistos como “corpos estranhos”.

Publicidade

Silvio Yasui, doutor em saúde pública e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), observa que a resistência aos CAPS vinha diminuindo, mas sofreu um revés nos últimos 10 anos devido a uma “onda de conservadorismo”. Ele defende que a solução está em dialogar com a comunidade, promovendo eventos abertos e questionando como as pessoas gostariam de ser cuidadas em situações de saúde mental, reforçando a importância do atendimento próximo de casa.

Mesmo com a implementação das novas unidades, o Distrito Federal continua com uma das piores coberturas de CAPS do país. Em 2025, Brasília alcançou o segundo pior resultado, atrás apenas do Amazonas, com 0,54 CAPS para cada 100 mil habitantes. Atualmente, o DF possui 19 unidades. A Secretaria de Saúde informou que a inauguração no Recanto das Emas está prevista para outubro deste ano, enquanto Ceilândia e Taguatinga devem ser concluídas no ano que vem. No Guará, o processo está na fase de contratação da obra. Além disso, a pasta prevê a construção de mais sete CAPS entre 2027 e 2029, sujeitos a disponibilidade orçamentária e terrenos adequados.

Publicidade
Publicidade
Publicidade

Fonte: G1 DF

Compartilhar:

Leia também

Mais lidas

  1. 1Nara Ayres Britto, advogada e filha de ex-ministro, celebra casamento
  2. 2Filha mata pai cadeirante em Bragança Paulista e transmite crime online
  3. 3Acidente entre caminhões deixa dois mortos na DF-290, próximo ao Gama
  4. 4Lula Eleva Herói da Guerra do Paraguai a Marechal Honorífico
  5. 5Plataforma Fatal Model busca investidores na XP Expert para expansão
Publicidade