Serras Raras no Brasil: Desafios Tecnológicos Impedem Competitividade
COO da Serra Verde, Ricardo Grossi, aponta defasagem tecnológica como principal barreira para produção nacional de terras-raras.

O Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial de terras-raras, enfrenta um dilema crucial: a ausência de tecnologia de ponta para otimizar sua extração e beneficiamento. Ricardo Grossi, Chief Operating Officer (COO) da Serra Verde, uma das poucas empresas atuantes no setor, ressaltou que a principal barreira para o crescimento da produção nacional reside na defasagem tecnológica em comparação com potências como a China, líder global nesse segmento.
Historicamente, a China solidificou sua hegemonia no mercado de terras-raras ao longo das últimas décadas, investindo massivamente em pesquisa e desenvolvimento, além de possuir uma infraestrutura robusta para o processamento desses elementos. Essa vantagem tecnológica permite não apenas maior eficiência na mineração, mas também a produção de materiais de alta pureza, essenciais para a indústria de eletrônicos avançados e energias renováveis.
Apesar do vasto potencial geológico, o Brasil ainda engatinha na consolidação de uma cadeia produtiva completa e competitiva. A tecnologia necessária para separar e refinar os diferentes elementos de terras-raras em escala industrial é complexa e exige conhecimento especializado, que atualmente é escasso no cenário brasileiro.
Grossi enfatizou que, para o Brasil deixar de ser apenas um fornecedor de matéria-prima bruta e se tornar um player relevante na cadeia de valor global, são imprescindíveis investimentos maciços em inovação e na formação de capital humano qualificado. A atração de parcerias com centros de pesquisa internacionais e empresas estrangeiras detentoras da tecnologia pode ser um caminho para superar esse gargalo.
A oportunidade é significativa, dado que as terras-raras são componentes fundamentais para diversas tecnologias emergentes, como veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones e equipamentos médicos de alta precisão. Desenvolver a capacidade tecnológica interna significa não apenas agregar valor ao recurso natural, mas também fortalecer a soberania tecnológica e econômica do país.
Fonte: Poder360
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