Publicidade
Publicidade
Saúde

Silêncio Neuronal Revela Novo Caminho para Prever Crises Epilépticas

Pesquisa internacional identifica pausa na atividade cerebral que antecede convulsões, abrindo portas para intervenções preventivas.

Redação Cerrado em Foco•
Compartilhar:
Silêncio Neuronal Revela Novo Caminho para Prever Crises Epilépticas
Silêncio Neuronal Revela Novo Caminho para Prever Crises Epilépticas - imagem 2

Pesquisadores de uma equipe internacional, que inclui instituições brasileiras e norte-americanas, identificaram uma “pausa prolongada na atividade neuronal” no cérebro momentos antes do início de uma crise epiléptica. Essa descoberta, publicada na revista Scientific Reports, aponta que o silenciamento dos neurônios atua como um marcador confiável para prever a ocorrência de convulsões, sugerindo a possibilidade de intervenção nesse exato instante para reduzir drasticamente a duração das crises.

A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais e excessivamente sincronizadas no cérebro, que resultam em convulsões e podem comprometer funções físicas e cognitivas. O distúrbio afeta aproximadamente 52 milhões de pessoas em todo o mundo.

Fernando da Silva Borges, pesquisador colaborador da Universidade Federal do ABC (UFABC) e coautor do artigo, explicou que o silenciamento neuronal já havia sido observado, mas a equipe conseguiu confirmá-lo tanto em pacientes quanto em modelos computacionais. “A partir disso, conseguimos entender como a dinâmica lenta dos canais de potássio [estruturas na membrana celular que funcionam como freios para a excitabilidade elétrica do neurônio] está ligada à sincronização neuronal exacerbada e descrever a atividade elétrica dos neurônios antes e durante as crises. Com isso, foi possível explicar como o padrão neural se forma e propor sua utilização como biomarcador confiável para prever convulsões”, detalhou Borges.

Em simulações computacionais, a utilização desse “silêncio neuronal” como biomarcador para intervenções anticonvulsivas, como a aplicação de estímulo elétrico, resultou em uma redução de até 93% na duração das crises. Este avanço delineia um caminho promissor para futuras terapias de neuromodulação personalizadas. O estudo contou com a participação de pesquisadores da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa), da USP (Universidade de São Paulo), da UFABC e da Universidade Estadual de Nova York (Estados Unidos), com apoio da FAPESP, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

Dados da literatura científica indicam que, mesmo com mais de 30 medicamentos aprovados para o tratamento da epilepsia, entre 30% e 40% dos pacientes não respondem à terapia farmacológica, caracterizando a epilepsia refratária. Nesses casos, uma alternativa é a estimulação cerebral, que modula os impulsos elétricos dos neurônios por meio de eletrodos implantados.

Publicidade

Com a descoberta do silenciamento neuronal, os pesquisadores visam integrar um tipo de dispositivo e um tratamento já existentes em uma estratégia conjunta, permitindo prever e intervir antes que a “tempestade neuronal” ocorra. “O silêncio neuronal antecede de 40 a 160 milissegundos uma crise epiléptica. É um tempo curto, mas suficiente para interferir de forma automatizada, disparando um estímulo elétrico antes do início da crise”, afirmou Borges à Agência FAPESP.

Dispositivos como o estimulador do nervo vago ou sistemas de feedback já monitoram continuamente outros sinais da crise convulsiva, porém, atualmente, só detectam a crise após seu início. A nova proposta é adaptar esses dispositivos para detectar o biomarcador recém-descoberto e combiná-lo com tratamentos de neuromodulação, enviando sinais a um nervo que estimula o cérebro antes da crise. Por meio de um procedimento minimamente invasivo, que envolve a aplicação de uma pequena corrente elétrica, o equipamento poderia “acordar” os neurônios preventivamente. Essa ativação rápida impediria que o fluxo de potássio nas células atingisse níveis críticos, prevenindo a formação da descarga elétrica. O estímulo é altamente focado, afetando apenas 1% dos neurônios responsáveis por excitar a atividade cerebral, o que já se mostrou suficiente para encurtar drasticamente a duração das convulsões.

“O dispositivo interviria, portanto, de forma preventiva e automatizada, utilizando a eletricidade para interromper o processo biológico que leva à crise antes mesmo de ela acontecer. Isso é um grande ganho, pois sabemos que as convulsões podem desencadear diversos tipos de sequelas. Evitar que elas ocorram é extremamente positivo para a saúde e a qualidade de vida dessas pessoas”, concluiu Borges. A informação original foi publicada pela Agência FAPESP em 21 de setembro de 2026 e adaptada para este portal.

Publicidade
Publicidade
Publicidade

Fonte: Poder360

Compartilhar:

Leia também

USP desenvolve gelatina balística padrão FBI para perícia policialSaúde
27 de setembro de 2026 às 10:00

USP desenvolve gelatina balística padrão FBI para perícia policial

Pesquisadores das Faculdades de Odontologia e de Medicina da USP em Ribeirão Preto desenvolveram uma gelatina balística nacional que reproduz tecidos moles humanos, seguindo o padrão do FBI. O material, criado para suprir uma demanda da perícia policial e reduzir custos de importação, permite análises complexas de trajetórias de projéteis e testes de munições. O projeto, que ainda busca patrocínio para escalar a produção, também tem aplicações nas áreas médica e jurídica.

Por Redação Cerrado em Foco◆Fonte: Poder360Ler matéria →

CEOs da OpenAI e Anthropic convocados pelo Senado australiano

Saúde
27 de setembro de 2026 às 10:00

CEOs da OpenAI e Anthropic convocados pelo Senado australiano

Os CEOs Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, foram convocados para depor a uma comissão do Senado australiano que investiga os impactos da inteligência artificial. A audiência está agendada para 1º de outubro de 2026, em Canberra. A medida vem dias depois da revelação de que um agente de IA da OpenAI acessou uma base de dados ligada ao sistema de saúde público da Austrália, o Medicare.

Por Redação Cerrado em Foco◆Fonte: Poder360Ler matéria →
Empresas de ônibus do DF propõem reajuste de 6% para rodoviáriosSaúde
27 de setembro de 2026 às 10:00

Empresas de ônibus do DF propõem reajuste de 6% para rodoviários

Empresas de transporte público do Distrito Federal, incluindo Bsbus e Viação Piracicabana, ofereceram reajuste salarial de 6% aos rodoviários. A proposta, que também abrange benefícios, será avaliada pela categoria em assembleia no domingo (27/9), antes da greve prevista para segunda-feira (28/9). O Sindicato dos Rodoviários busca 8% de aumento salarial e ajustes maiores nos benefícios.

Por Redação Cerrado em Foco◆Fonte: Metrópoles - DFLer matéria →

Mais lidas

  1. 1Nara Ayres Britto, advogada e filha de ex-ministro, celebra casamento
  2. 2Filha mata pai cadeirante em Bragança Paulista e transmite crime online
  3. 3Acidente entre caminhões deixa dois mortos na DF-290, próximo ao Gama
  4. 4Lula Eleva Herói da Guerra do Paraguai a Marechal Honorífico
  5. 5Plataforma Fatal Model busca investidores na XP Expert para expansão
Publicidade