“Vamos recorrer até o fim”, diz presidente do Novo sobre Deltan


Eduardo Ribeiro afirma que Novo recorrerá ao STF se TSE impedir Deltan Dallagnol de assumir vaga no Senado
Ribeiro afirmou que espera que o TSE mantenha o entendimento do TRE-PR e reconheça a validade da candidatura de Dallagnol Poder360 - 8.out.2026 Juliana Alves de Brasília 8.out.2026 (quinta-feira) - 17h28 Priorize o Poder no Google O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro , afirmou nesta 5ª feira (8.out.2026) em entrevista ao Poder360 que o partido recorrerá até o Supremo Tribunal Federal caso o Tribunal Superior Eleitoral mantenha o indeferimento do registro de candidatura de Deltan Dallagnol (Novo-PR), eleito para uma das 2 vagas do Senado pelo Paraná com 2,9 milhões de votos.
O TSE adiou a análise do registro , que estava prevista para esta 5ª feira. Ainda não há nova data para o julgamento. O relator do caso é o ministro Floriano de Azevedo Marques.
Na véspera da eleição, no sábado (3.out.), Floriano indeferiu o registro de Dallagnol . Segundo o ministro, o ex-procurador da Lava Jato estaria inelegível por 8 anos por ter deixado o Ministério Público Federal em 2021, enquanto respondia a procedimentos disciplinares. Para o relator, a saída do MPF teria sido uma manobra para evitar a incidência de uma causa de inelegibilidade relacionada a esses procedimentos.
A decisão foi suspensa na manhã de domingo (4.out.) pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Com isso, o registro de Dallagnol voltou à condição de “deferido com recurso”, e os votos recebidos pelo candidato foram contabilizados na apuração.
A candidatura havia sido autorizada em setembro pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Por maioria, a Corte regional concluiu que Dallagnol não havia pedido demissão do Ministério Público com o objetivo de evitar uma causa de inelegibilidade.
Na decisão que indeferiu o registro, Floriano contestou esse entendimento. O ministro classificou a decisão do TRE-PR como um “overruling impróprio” , por considerar que a Corte regional teria reexaminado uma conclusão anteriormente adotada pelo TSE sobre o mesmo conjunto de fatos e sob a mesma legislação.
Ribeiro afirmou que espera que o TSE mantenha o entendimento do TRE-PR e reconheça a validade da candidatura de Dallagnol. Para o presidente do Novo, a discussão sobre a elegibilidade do ex-procurador decorre de uma interpretação ampliada da Lei da Ficha Limpa .
Segundo Ribeiro, Dallagnol não tinha processos administrativos abertos quando deixou o Ministério Público, mas apenas denúncias que poderiam eventualmente resultar em procedimentos.
“A Lei da Ficha Limpa diz que procuradores, juízes, promotores, enfim, membros do Judiciário, não podem se exonerar do cargo para ser candidato se tiverem processos administrativos abertos contra si. E o Deltan não tinha nenhum processo administrativo. O que ele tinha eram denúncias que poderiam se tornar processos administrativos.”
Ribeiro afirmou ainda que as denúncias foram posteriormente arquivadas. Na avaliação dele, o debate atual deveria considerar também a cassação do mandato de deputado federal de Dallagnol pelo TSE, em 2023.
“A gente não deveria estar discutindo se o Deltan pode ou não ser candidato ao Senado. A gente deveria estar discutindo quem vai devolver o mandato de deputado federal que foi injustamente cassado lá em 2023″, declarou.
O presidente do Novo criticou a atuação da Justiça Eleitoral no caso e afirmou que Dallagnol sofre perseguição de setores do Judiciário e do PT. Ribeiro atribuiu essas avaliações ao posicionamento do partido e disse que o TSE deve se limitar à aplicação da legislação.
“A função do TSE, de qualquer tribunal, é fazer justiça de acordo com o que está escrito na lei. E o que está escrito na lei é muito claro.”
Caso o TSE decida pelo indeferimento, Ribeiro afirmou que o Novo pretende recorrer ao STF. Além da via judicial, disse que o partido pretende atuar politicamente contra o que considera abusos de ministros de Tribunais superiores.
“Vamos recorrer até o fim, até o Supremo. Vamos brigar no Supremo, vamos brigar politicamente.”
Ribeiro relacionou o caso à nova composição do Senado a partir de 2027 . Segundo ele, parte dos senadores eleitos assumiu compromissos com propostas de impeachment de ministros do STF.
Para o dirigente, a votação de Dallagnol reforça a posição do eleitorado paranaense . Ele afirmou que o candidato ficou 15 dias com restrições à campanha, sem poder aparecer na televisão, pedir votos ou realizar atos de campanha, e mesmo assim recebeu quase 3 milhões de votos.
“O Paraná deu o recado, o Brasil deu o recado, elegendo muitos senadores com esse compromisso de impeachment do ministro do Supremo.”
Fonte: Poder360
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