Saúde

ANAC realizou 2,8 mil questionamentos e 46 suspensões na Voepass antes de acidente

Relatório do Cenipa revela falhas persistentes na companhia aérea e aponta insuficiência da fiscalização anterior à tragédia de 2024.

Redação Cerrado em Foco
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ANAC realizou 2,8 mil questionamentos e 46 suspensões na Voepass antes de acidente

Antes do acidente com o avião da Voepass em Vinhedo (SP), que vitimou 62 pessoas em agosto de 2024, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) havia registrado um histórico preocupante de irregularidades. Entre 2022 e 2024, a agência realizou 2.804 questionamentos e determinou 46 suspensões de aeronaves da companhia. Esses dados foram detalhados pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) em seu relatório final, divulgado recentemente.

O documento do Cenipa é categórico ao apontar que as ações fiscalizatórias da ANAC foram “insuficientes para impedir a ocorrência do acidente”. Auditorias e inspeções pré-acidente revelaram uma série de não conformidades técnicas e procedimentais relacionadas à manutenção das aeronaves da Voepass. Entre as falhas identificadas, destacam-se fragilidade no controle de manutenção, liberações técnicas irregulares e danos em sistemas cruciais como o de degelo, além de pneus utilizados além do limite de desgaste.

Mesmo diante de um cenário de degradação nos níveis de segurança, que incluiu a suspensão de oito das quinze aeronaves da frota em abril de 2023, as constatações e medidas da ANAC não foram capazes de mitigar os riscos ou auxiliar nas decisões estratégicas necessárias para garantir a segurança operacional. O Cenipa salienta que essa situação permitiu a continuidade das operações da Voepass, apesar dos sérios problemas identificados.

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A ANAC, por sua vez, informou que fará uma análise técnica detalhada das recomendações contidas no relatório do Cenipa, com prazo de até quatro meses para conclusão. A agência ressalta que as investigações do Cenipa têm caráter preventivo, visando identificar fatores contribuintes e aprimorar o sistema de segurança, sem atribuir culpa ou responsabilização.

Paralelamente à investigação do Cenipa, a Polícia Federal conduz um inquérito para apurar eventuais crimes e responsáveis pela tragédia. A análise das caixas-pretas e a transcrição das conversas na cabine dos pilotos são elementos cruciais para a elucidação dos últimos momentos do voo. Familiares das vítimas, após a conclusão do inquérito da PF, planejam ingressar com uma ação coletiva de responsabilidade civil por danos morais, buscando a responsabilização de todas as partes envolvidas.

Fonte: G1 DF

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