Anac suspende empresas de voos panorâmicos no Rio após fiscalização
Quatro operadoras tiveram atividades paralisadas por irregularidades, após reforço nas inspeções motivado por recentes acidentes.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou a suspensão de quatro empresas que oferecem voos panorâmicos no Rio de Janeiro. O balanço foi divulgado nesta terça-feira (18), destacando que nove das doze empresas autorizadas foram fiscalizadas e, destas, quase metade apresentaram irregularidades que levaram à paralisação de suas atividades. Este número preocupante corresponde a cerca de 50% das operações inspecionadas até o momento.
As ações de fiscalização foram intensificadas na última semana, englobando auditorias nos Sistemas de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO), verificação de procedimentos operacionais e inspeções técnicas em aeronaves. Dos 46 helicópteros utilizados para o serviço, 18 foram vistoriados, resultando na suspensão de nove unidades por questões de segurança ou conformidade regulatória.
O diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, participou da coletiva de imprensa ao lado do prefeito Eduardo Cavaliere, ressaltando que, embora as fiscalizações sejam rotineiras, o reforço atual foi impulsionado por uma solicitação da prefeitura carioca. A medida visa responder a uma série de acidentes aéreos envolvendo helicópteros na cidade nos últimos meses, que resultaram em múltiplas vítimas.
Em resposta a esses incidentes, a prefeitura e a Anac estão trabalhando em conjunto para aprimorar a segurança e a organização dos voos panorâmicos. Desde janeiro, a cidade registrou a perda de 13 vidas em acidentes com helicópteros, o que acendeu um alerta para as autoridades e a população. A colaboração inclui a troca de informações para fortalecer a fiscalização e coibir operações irregulares.
Faierstein assegurou que as operações de inteligência e fiscalização continuarão sigilosas e permanentes, estendendo-se também a empresas de táxi-aéreo e de manutenção aeronáutica. O objetivo é garantir que todo o ecossistema da aviação no Rio de Janeiro e no Brasil seja seguro, combatendo as companhias que operam fora das normas, ao mesmo tempo em que reconhece a seriedade de muitas operadoras.
Adicionalmente, a Anac anunciou a revisão do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil 136 (RBAC 136), focado em voos panorâmicos. A intenção é modernizar os requisitos de segurança operacional, levando em conta a evolução do setor e as melhores práticas internacionais. A agência convoca a participação pública nesse processo para aprimorar aspectos como qualificação de tripulações e gestão da segurança.
Como parte das medidas preventivas, a prefeitura suspendeu o uso do heliponto da Lagoa por cinco empresas de voo panorâmico. A decisão veio após a identificação de que essas empresas, embora autorizadas pelo RBAC 136, estariam descumprindo a norma de partir e retornar do mesmo ponto, utilizando o local para desembarque de passageiros, prática não permitida pelo regulamento específico para voos panorâmicos.
Fonte: Agência Brasil - Geral
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