BRB pede ao STF liberação urgente de ativos bloqueados no caso Master
Banco busca reaver valores enquanto investigação sobre fraudes bilionárias e compra de carteiras fraudulentas avança.
O Banco de Brasília (BRB) protocolou uma petição junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando que o ministro André Mendonça autorize a liberação imediata de ativos financeiros. Esses valores foram bloqueados em decorrência da investigação que apura supostas fraudes bilionárias relacionadas ao Banco Master, em um caso que tem gerado intensa repercussão na capital.
A decisão de bloquear os bens, datada de julho, visava assegurar os valores até que sua origem, ligação com os fatos investigados e destinação pudessem ser identificadas com clareza. O BRB pleiteia que sejam liberados especificamente os ativos cuja cessão ao banco estatal foi formalmente estabelecida antes do decreto de liquidação extrajudicial e da própria constrição judicial, desde que a titularidade possa ser inequivocamente comprovada.
Um dos pontos cruciais levantados pelo BRB na petição é a alegação de que a eventual conduta ilícita de administradores, que teriam usado seus cargos para beneficiar terceiros, não deve converter a instituição em “autora do próprio dano”. Com isso, o banco busca desvincular-se das ações fraudulentas que estão sob apuração, defendendo a integridade de suas operações regulares.
Entre as operações cujos fluxos de pagamentos e titularidade estão sob escrutínio, destaca-se o programa de crédito CredCesta, que engloba 417 convênios. O BRB requereu ao ministro do STF que os recursos provenientes desses convênios sejam depositados em uma conta específica, administrada pelo próprio banco, mas sob o controle judicial direto do Supremo, garantindo transparência e rastreabilidade.
O cenário de crise que envolve o BRB se agravou desde novembro de 2025, quando a Operação Compliance Zero da Polícia Federal veio à tona, revelando as fraudes bilionárias supostamente envolvendo o Banco Master e seu proprietário. A investigação aponta que a direção do BRB estaria ciente das irregularidades, o que adiciona complexidade à situação atual.
Anteriormente, o BRB tentou adquirir o Banco Master, injetando R$ 16,7 bilhões na instituição de Daniel Vorcaro. A operação de compra foi vetada pelo Banco Central, e posteriormente o BRB descobriu que parte significativa das carteiras de crédito adquiridas era fraudulenta e desprovida de lastro, gerando um enorme prejuízo e a necessidade de recomposição patrimonial.
Atualmente, o governo local, acionista majoritário do BRB, busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para recompor o patrimônio da instituição. Apesar dos esforços do governo, a União já manifestou que não poderá fornecer garantias para essa operação financeira, aumentando os desafios para o saneamento do banco.
Fonte: G1 DF
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