Buscas por helicóptero com Rick entram em nova fase na Serra Catarinense


As buscas pelo helicóptero que transportava o cantor Rick Sollo, da dupla Rick & Renner, entraram nesta terça-feira (22) em uma nova e delicada etapa na Serra Catarinense.
Desde o desaparecimento da aeronave, na tarde de segunda-feira (21), equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, da Força Aérea Brasileira e da Polícia Militar trabalham para reconstruir o trajeto e localizar o helicóptero e seus ocupantes.
Até a manhã desta terça, porém, nenhum vestígio da aeronave havia sido oficialmente encontrado.
E existe um detalhe fundamental: apesar das informações iniciais sobre uma possível queda, as autoridades ainda não confirmaram que o helicóptero sofreu um acidente.
A empresa proprietária da aeronave também pediu cautela e ressaltou que, enquanto o helicóptero não for localizado, é prematuro afirmar o que efetivamente aconteceu.
O helicóptero, um Bell 430, matrícula PP-MGR, decolou de Porto Belo, no litoral catarinense, e tinha como destino a região de São Joaquim.
A operação passou a trabalhar principalmente com duas referências geográficas.
A primeira fica na localidade de Vacas Gordas, em Urubici, onde surgiu uma informação inicial indicando uma possível queda. Equipes foram enviadas para a região, mas não localizaram a aeronave.
A segunda referência surgiu a partir do último sinal de celular registrado de um dos ocupantes. Com o cruzamento dessas informações, a área de buscas foi ampliada por aproximadamente 30 quilômetros, avançando em direção à região do Morro Agudo.
Esse cruzamento de sinais tornou-se uma das principais pistas disponíveis para os socorristas.
Mais de 20 bombeiros participam das buscas, utilizando viaturas adequadas a terrenos de difícil acesso. Equipes especializadas, cães farejadores e drones equipados com câmeras térmicas também foram incorporados aos trabalhos.
A Força Aérea Brasileira mobilizou duas aeronaves especializadas em busca e salvamento: um helicóptero H-60 Black Hawk e um SC-105 Amazonas. Segundo a FAB, a prioridade é localizar a aeronave e seus ocupantes o mais rapidamente possível, atualizando continuamente as áreas consideradas de maior probabilidade à medida que surgem novas informações.
Além da extensão da área, as equipes enfrentam um problema sério: as condições meteorológicas. Santa Catarina foi atingida por fortes chuvas e temporais, e a Serra apresenta pontos com baixa visibilidade, árvores derrubadas e pontes submersas.
Em determinados locais, as equipes terrestres chegaram perto das coordenadas indicadas, mas não conseguiram prosseguir pelo caminho inicialmente escolhido justamente por causa dos obstáculos provocados pelo temporal. A combinação entre mata fechada, relevo montanhoso, chuva e neblina transforma cada deslocamento em uma operação complexa. E também pode dificultar significativamente as buscas aéreas.
Entre as informações recebidas pelas equipes está o relato de uma moradora da região que teria ouvido um forte estrondo. Essa informação passou a compor o conjunto de pistas analisadas pelas autoridades, mas, isoladamente, não permite concluir que o barulho tenha sido provocado pelo helicóptero.
Por isso, a busca continua baseada principalmente nas informações técnicas disponíveis: última comunicação, trajetória estimada, sinais de celular e possíveis pontos de localização da aeronave.
As informações divulgadas pela imprensa e pelas assessorias apontam que estavam a bordo o cantor Rick Sollo, o empresário Bruno Avelar, um videomaker identificado como Paulo Soares e o piloto da aeronave. Rick tem 59 anos e construiu uma carreira de décadas na música sertaneja ao lado de Renner. O desaparecimento mobilizou artistas, familiares e admiradores. Renner pediu orações pelo parceiro, enquanto Geralda Helena, esposa de Rick, publicou uma mensagem de fé e agradeceu pelas manifestações de apoio recebidas desde que a notícia veio a público.
Outro ponto que já começa a integrar a reconstrução do caso diz respeito às condições administrativas da aeronave. O helicóptero é um Bell 430, fabricado em 2001, com matrícula PP-MGR. Segundo consulta aos registros da Agência Nacional de Aviação Civil reproduzida pela CNN Brasil, a aeronave estava em situação normal, sem restrições administrativas registradas, e possuía certificação de operação válida até agosto de 2027. O modelo é bimotor e possui capacidade para oito ocupantes, incluindo o piloto. Também estava homologado e equipado para operação sob regras de voo por instrumentos.
Essas informações são importantes porque, até agora, não existe evidência pública de que alguma irregularidade documental da aeronave tenha relação com o desaparecimento.
Neste momento, existe uma diferença importante entre busca e investigação de acidente. A prioridade absoluta é encontrar a aeronave e seus ocupantes. Somente depois da localização será possível determinar se efetivamente houve acidente e, caso isso seja confirmado, iniciar uma análise técnica mais conclusiva sobre as causas.
Por enquanto, seria precipitado apontar falha mecânica, erro humano ou condições meteorológicas como causa. O que já se sabe é que o tempo estava severamente instável na região no período do desaparecimento. Isso será certamente uma informação relevante para a reconstrução do voo, mas não permite, por si só, estabelecer a causa.
Também não havia, nas informações disponíveis até esta manhã, registro público de comunicação do piloto relatando pane mecânica antes da perda de contato.
O Bell 430 possui um equipamento chamado ELT — Emergency Locator Transmitter, ou transmissor localizador de emergência. Esse dispositivo pode transmitir um sinal de emergência após determinados tipos de impacto, auxiliando as equipes de busca na localização de uma aeronave acidentada.
Fonte: Opinião Brasília
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