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Campanha de Lula olhou para o retrovisor e arriscou perder os jovens

Redação Cerrado em Foco•
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Campanha de Lula olhou para o retrovisor e arriscou perder os jovens
Campanha de Lula olhou para o retrovisor e arriscou perder os jovens - imagem 2

Sob Sidônio Palmeira e Edinho Silva, PT explorou o contraste com Bolsonaro, mas apostou demais na memória e ficou atrás em novas ideias

--> copiar link --> Lula construiu sua liderança em um cenário que deixou de existir Sérgio Lima/Poder360 - 25.ago.2026 Lara Brito de Brasília 3.out.2026 (sábado) - 5h58 Priorize o Poder no Google A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à reta final antes da votação de domingo (4.out.2026) com um discurso mais voltado ao passado do que ao futuro. O fato de Lula ter governado o Brasil 3 vezes não é, por si só, suficiente para responder às expectativas do eleitorado. A pauta está no presente, e quem vota quer saber como será o Brasil daqui para a frente.

A violência é o principal problema do Brasil para 28% dos brasileiros, à frente da corrupção (22%) e da economia (19%), segundo pesquisa da Quaest em parceria com a Pax, divulgada em 18 de setembro .

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Elaborada sob a influência de Sidônio Palmeira, ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social), e de Edinho Silva, presidente do PT, a estratégia compara governos e resgata o legado petista. A abordagem, porém, tem pouco apelo entre os eleitores jovens e enfrenta um partido que ainda busca renovação.

No levantamento mais recente do Datafolha, Lula tem 36% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, 35%, entre os eleitores de 16 a 24 anos. A diferença não é estatisticamente significativa. Na rodada anterior, a vantagem do petista nesse grupo era de 10 pontos percentuais (39% a 29%).

Sidônio convenceu Lula a polarizar com Jair Bolsonaro (PL) desde a campanha de 2022, ideia que o petista inicialmente recebeu com dúvidas. Naquele ano, a estratégia deu resultado. Na Secom, o ministro também emplacou o discurso de soberania e a campanha “Pix é nosso” . Edinho, que coordenou a comunicação da campanha de 2022, definiu a eleição como uma escolha sobre o legado para as próximas gerações.

O desenho inicial era transformar a eleição em um plebiscito entre os governos do PT e de Bolsonaro. Mas Jair Bolsonaro não está na urna. O adversário é seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), que carrega o sobrenome, mas não tem o histórico de um ex-presidente. Com 45 anos, o senador também representa um perfil mais jovem em comparação com o pai e Lula.

O ambiente em que esse contraste funcionou também mudou. O país passou pelas manifestações de 2013, pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), pela Lava Jato, pela prisão de Lula e pela ascensão de Bolsonaro. A polarização ampliou o espaço da direita, justamente o campo político que o PT usa como contraponto em sua estratégia de comparação.

A esquerda perdeu terreno na América do Sul , e o Brasil se tornou uma das exceções. A disputa também passou a envolver influenciadores, vídeos curtos e memes, ambiente em que a direita avançou mais.

Lula construiu sua liderança em um cenário que deixou de existir. Sua posição também mudou: agora é o presidente em exercício e será cobrado pelas entregas de seu governo. Comparar sua gestão com o passado de adversários pode ter menos efeito nesse contexto.

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O Datafolha mostra uma disputa mais apertada. Na rodada de 22 e 23 de setembro, Lula tinha 40% e Flávio, 36% das intenções de voto no 1º turno. Em julho, a vantagem do petista era de 8 pontos percentuais .

O plano de governo registra a mudança de tom. Em 2022, o documento se apoiava na reversão de medidas da gestão anterior . Agora, apresenta entregas do 3º mandato, como a saída do Mapa da Fome, e recupera bandeiras antigas, como o Bolsa Família.

O documento passou de 121 diretrizes curtas para 13 eixos distribuídos em 84 páginas. Também apresenta propostas para o futuro, como o fim da escala 6 X 1, a jornada de 40 horas semanais, a regulação dos aplicativos e a criação de data centers nacionais.

O plano também dedica espaço à segurança pública, tema que teve presença limitada nos discursos de Lula durante o 3º mandato. A diferença sugere que as propostas estão no documento, mas a campanha dá mais espaço à recuperação da memória dos governos petistas.

Na convenção de 2 de agosto, Lula chegou a falar em educação, inteligência artificial e transição energética. Disse que sua “quarta Presidência é para mudar muita coisa” . Ainda assim, a mensagem central foi a possibilidade de ele voltar a ocupar o cargo por mais 4 anos.

O ato de lançamento da campanha, em 16 de agosto, reforçou esse tom. Lula abriu a campanha no estádio 1º de Maio, a antiga Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), palco das assembleias de metalúrgicos no fim dos anos 1970 e onde começou sua trajetória política. Ao anunciar o evento, já havia descrito o local como o lugar “onde tudo nasceu” .

No palco, o presidente falou a palavra “futuro” ao menos 23 vezes em 36 minutos, mas o discurso ficou predominantemente ancorado no passado. Lula resgatou sua trajetória sindical e lembrou os “47 anos de história” desde a assembleia de 1979. Também comparou o público dos atos. Disse que, naquele ano, havia “mais gente do que tem hoje aqui” .

A imagem mais próxima de uma perspectiva de futuro foi a dos filhos de metalúrgicos que Lula viu estudando engenharia espacial na universidade federal da cidade. Propostas para um eventual 4º mandato quase não apareceram .

O principal ponto de comparação com o governo anterior tem sido o preço dos alimentos. No horário eleitoral de 18 de setembro, o petista disse que o feijão e o arroz subiram mais de 45% durante o governo de Jair Bolsonaro. O argumento serve de ponte para uma das entregas mais destacadas pela atual gestão: a saída do Brasil do Mapa da Fome.

Em 28 de setembro, o presidente publicou nas redes sociais uma sequência de imagens que compara seu governo ao que, na avaliação dele, seria uma gestão de Flávio Bolsonaro, em áreas como habitação, educação, meio ambiente e saúde. Na lege

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Fonte: Poder360

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