Campanha de Zema chama judicialização da saúde de “fracasso do gestor”
Médico Bernardo Ramos diz que falhas na gestão fazem pacientes recorrerem à Justiça por medicamentos e tratamentos


O médico Bernardo Ramos, representante da candidatura de Romeu Zema (Novo) à Presidência da República, afirmou nesta 5ª feira (24.set.2026) que a judicialização da saúde é um “sintoma do fracasso do gestor”. Segundo ele, falhas na gestão podem levar pacientes a recorrer à Justiça para conseguir medicamentos e tratamentos.
“A judicialização nada mais é do que um sintoma do fracasso do gestor. É quando ele falha ou quando o sistema falha, que a gente consegue enxergar que foi judicializado”, disse durante o Fórum Saúde, Diálogo e Desenvolvimento – A Indústria da Saúde na Agenda Presidencial, realizado em São Paulo.
Bernardo Ramos afirmou que a judicialização é um dos pontos mais críticos da saúde porque reduz a “previsibilidade do gestor” e dificulta o planejamento de compras e a organização do atendimento aos pacientes.
“Eu enxergo a judicialização como um ponto que tem que ser combatido, mas combatido de forma adequada. […] A gente precisa ter protocolos muito claros, muito transparentes, tanto para aqueles medicamentos que já estão incorporados quanto para aqueles medicamentos que ainda não estão incorporados”, afirmou.
O representante também disse que pacientes que recorrem à Justiça podem acabar sendo priorizados em relação a outros que tenham maior urgência.
“Nós estamos falando do paciente que judicializa, muitas vezes sendo priorizado em relação ao paciente que tem mais urgência, mas simplesmente porque ele conseguiu um caminho através da Justiça”, afirmou.
Segundo Bernardo Ramos, a experiência de Minas Gerais durante a gestão do ex-governador Zema mostrou que é possível reduzir a judicialização.
“Se a gente consegue criar protocolos claros, transparentes, e consegue fazer com que o paciente tenha acesso ao medicamento ou ao tratamento que ele precisa antes de ele precisar judicializar, a gente consegue melhorar muito o sistema”, disse.
Além da judicialização, Bernardo Ramos afirmou que o subfinanciamento do SUS é um problema, mas disse que a falta de gestão também tem peso relevante.
“A falta de gestão é mal percebida no dia a dia. Muitas vezes ela é vestida de outras coisas que nos deixam inertes”, afirmou.
O representante defendeu o fortalecimento da atenção primária e do autocuidado como formas de reduzir a pressão sobre a rede hospitalar. Segundo ele, recursos economizados nessas áreas poderiam ser direcionados para outros serviços de saúde.
Ele também defendeu que as emendas parlamentares destinadas à saúde estejam alinhadas ao planejamento dos governos, em vez de serem aplicadas de forma isolada.
Entre as metas apresentadas pela candidatura estão reduzir pela metade a fila de cirurgias eletivas do SUS nos primeiros 4 anos de mandato, implementar o prontuário eletrônico nacional até 2028, cortar pela metade o tempo de registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2 anos e garantir a presença da Farmácia Popular em todos os municípios brasileiros ao fim do mandato.
Questionado sobre o que seria possível entregar nos primeiros 100 dias de governo, Bernardo Ramos afirmou que o período seria dedicado ao diagnóstico da situação dos sistemas de saúde antes da definição de metas numéricas para o início da gestão.
“Nos primeiros 100 dias vão ser dados os primeiros passos para essas metas ousadas. Não vou prometer números, porque eu preciso entender ainda melhor”, disse.
Segundo ele, a partir do diagnóstico seriam definidas as medidas necessárias para cada área, como contratação de profissionais ou redução de burocracia.
Sobre a possibilidade de levar para o país medidas adotadas em Minas Gerais, Bernardo Ramos afirmou que as políticas implementadas no Estado poderiam ser replicadas em âmbito nacional.
“Tudo que foi feito em Minas nos últimos 8 anos pode ser replicado no Brasil e vai entregar muito de saúde para a nossa população”, concluiu.
Fonte: Poder360
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