Cinco ministros do STF já receberam dados do celular de Daniel Vorcaro


Até esta quinta-feira (17.set.2026), cinco dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) receberam uma cópia da Polícia Federal (PF) contendo os dados brutos das mensagens e arquivos encontrados no celular de Daniel Vorcaro, fundador do banco Master.
A cópia do HD, com a extração das provas utilizadas pela PF, foi inicialmente encaminhada ao ministro Cristiano Zanin, que havia solicitado a Edson Fachin a distribuição dos dados para todos os colegas. Contudo, após uma série de ofícios sobre o tratamento das provas, o compartilhamento tem sido feito por meio de ofícios dos ministros diretamente à direção da PF.
Os primeiros a receberem os dados foram Zanin, Gilmar e Moraes. Eles oficiaram diretamente o diretor-geral Andrei Rodrigues em virtude do julgamento ocorrido em 15 de setembro, que envolvia o relatório da PF com as conversas de Daniel Vorcaro com o ministro do STF.
No dia do julgamento, mensagens de Vorcaro que relacionavam os filhos dos ministros Kássio Nunes Marques e Luiz Fux vieram à tona. Nunes Marques já pediu o compartilhamento das informações, mas, até a publicação desta reportagem, não havia recebido os dados.
André Mendonça tinha os dados brutos lacrados em seu gabinete. Após os vazamentos, Mendonça e Fux requisitaram à PF uma cópia do HD, que foi enviado aos demais colegas.
Mendonça atuou como relator dos casos do Banco Master e das fraudes nos descontos de benefícios do INSS. Em 12 de setembro de 2026, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu provisoriamente essas relatorias de Mendonça. A intenção de Fachin era primeiro submeter ao plenário da Corte a análise dos pedidos de investigação de Alexandre de Moraes e Mendonça.
Contudo, essas análises podem ficar para a metade de dezembro devido ao pedido de vista apresentado por Flávio Dino. Fachin dá a entender que não pretende atuar como relator dos casos Master e INSS. Mendonça, por sua vez, não pode tomar nenhuma decisão enquanto não receber as relatorias de volta. Dessa forma, as duas investigações ficam, na prática, paralisadas.
A produção do relatório da PF para identificar parte das conversas de Daniel Vorcaro desencadeou uma crise sem precedentes na história do STF. Pela primeira vez, foi necessário abrir uma sessão para discutir se os investigadores poderiam apurar um possível envolvimento do ministro Alexandre de Moraes no esquema de Daniel Vorcaro.
A sessão, iniciada em 15 de setembro, foi interrompida com um pedido de vista do ministro Flávio Dino, o que adiou a resolução do caso.
Além disso, Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa. O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, determinou que o julgamento do pedido contra Mendonça só será pautado depois que for concluída a questão de ordem para definir se o caso Vorcaro-Moraes será julgado de forma separada ou conjunta.
Fonte: Poder360
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